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José Mário Branco no seu "local de trabalho", fotografado para a BLITZ em 2011

Rita Carmo

Capicua e Valter Hugo Mãe, entre outros, lamentam morte de José Mário Branco. “Morreu um amigo”

O talento e o exemplo de José Mário Branco lembrado pelos seus pares e não só. “Toda a música portuguesa empalidece”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

A morte de José Mário Branco, aos 77 anos, está a ser lamentada por numerosos músicos e não só.

No Instagram, a rapper Capicua escreveu: “Que possa sempre honrar o seu exemplo. Não esquecendo nunca que a música não é só estética, e muito menos técnica, porque a ética é a sua dimensão mais importante. Que pena nunca o ter conhecido pessoalmente para lhe agradecer. Para lhe dizer que o primeiro CD que tive era dele (oferecido pelo meu pai). Para lhe dizer como cresci com a sua voz, acreditando que a 'Ronda do Soldadinho' era música para crianças. E para lhe dizer que uma das coisas que mais me orgulha na minha cidade é ter feito nascer um tipo com a sua fibra!Já liguei ao meu Pai. Morreu um amigo. Um abraço à sua família!”.

Também o escritor Valter Hugo Mãe dedicou algumas palavras a José Mário Branco: “
Que insuportável notícia, a da morte de José Mário Branco. Toda a música portuguesa empalidece. Que génio perdemos agora. Que tristeza esta porcaria chamada morte”.

“Mudam-se os tempo, mudam-se as vontades", citou o apresentador Jorge Gabriel, ao passo que o jornalista Daniel Oliveira partilhou um e-mail que José Mário Branco lhe enviou em 2010, com a versão correta do seu clássico, 'FMI'.

Por seu turno, Legendary Tiger Man escreveu: “Nunca nos cruzámos, e foste dos primeiros músicos portugueses que me tocou no coração, adolescente, sedento de justiça e contestação. E a tua música foi ficando, ao longo dos anos, sempre”.

Hélio Morais, dos Linda Martini e PAUS, lembrou ainda o facto de José Mário Branco ter autorizado que os Linda Martini usassem “um pedaço de uma obra maior ['FMI'] numa música nossa, 'Partir Para Ficar'” e Pedro da Silva Martins (Deolinda) afirmou que, nas conversas que teve com o autor, aprendeu muito sobre “música e o seu fundamento. Recordo uma fase em que ele, convalescente (creio que de uma intervenção cirúrgica), com muita dificuldade em sentar-se e levantar-se, agarrava uma melodia da nossa conversa e levantava-se, ágil, desenhando a melodia no ar, como se naquele momento nada mais pesasse, nada mais doesse, nada mais interessasse. Deve ter sido incrível a melodia que o levou hoje. Adeus, mestre”.

Luís Nunes, músico e produtor conhecido como Benjamim, escreveu apenas “Até sempre, José Mário”, partilhando a capa de “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades”.