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Câmara do Porto evoca José Mário Branco: “Voz de Abril, do Porto e da liberdade”

Autarquia recorda o portuense voz da inquietação e que foi uma grande e diferente “gota no oceano do grande caminho da Humanidade

Expresso

Voz de Abril, do Porto e da liberdade, José Mário Branco faleceu durante a noite passada, com 77 anos, assinala, em comunicado, a Câmara do Porto, na evocação ao cantautor nascido no Porto e celebrizado como cantor e compositor de intervenção contra a ditadura.

“É uma das figuras ligadas à revolução de 25 de Abril de 1974”,recorda a autarquia que, na Feira do Livro de 2018, prestou homenagem aos 50 anos de carreira do também letrista e produtor. No dia da sua morte, o município lembra as palavras de José Mário Branco na altura do tributo, quando chamou a atenção para a ação individual em favor da comunidade, defendendo que o “que a gente faz é uma gota no oceano do grande caminho da Humanidade”.

A placa com o seu nome foi, então, colocada numa das tílias dos Jardins do Palácio de Cristal, ao lado de Agustina Bessa-Luís, Vasco Graça-Moura, Mário Cláudio e Sophia de Mello Breyner Andresen, tornando-se assim o primeiro autor ali homenageado que não é estritamente do domínio das letras. Rui Moreira justificou a distinção por “ser um dos nomes mais importantes da música portuguesa do século XX, que acreditamos ser, paralelamente, um dos nomes mais relevantes da literatura nacional das últimas décadas”, além de ser o Porto “a cidade que o viu nascer” e onde viveu a sua juventude.

No comunicado, José Mário Branco é ainda lembrado como uma das figuras mais emblemáticas da nossa liberdade, que mesmo censurado “nunca deixou de escrever poesia e música quando foi urgente que soasse”. José Mário Branco nasceu no Porto a 25 de maio de 1942. Cursou economia e história, depois de ter abandonado o estudo do violino, chamou ao seu primeiro LP um verso de Camões ('Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades', 1971), foi perseguido pela PIDE e exilado político, interveio nos palcos da música, do teatro, da televisão e do cinema, desde cedo fez produção (arranjos em discos de Sérgio Godinho e José Afonso; os passos que ouvimos no início de 'Grândola, Vila Morena' foram por ele gravados em Paris) e já maduro voltou à universidade para estudar linguística porque, como dizia o cantautor da inquietação, “a revolução é concretíssima se começarmos por fazê-la dentro de cada um de nós”.

A Câmara do Porto refere que José Mário Branco decidiu, no ano passado, abrir ao público o acesso online ao seu arquivo pessoal, do qual constam mais de um milhar de documentos que ajudam a estudar o seu percurso artístico.