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Everything Is New, de Álvaro Covões, compra Campo Pequeno

O negócio que coloca a arena onde se realizam concertos e touradas nas mãos de um consórcio de que faz parte Álvaro Covões já foi formalizado, mas pode enfrentar um impasse devido uma ação administrativa movida pelo acionista que transformou o Campo Pequeno em centro comercial

O empresário Álvaro Covões, diretor-geral da produtora de espetáculos Everything Is New, é o novo proprietário do Campo Pequeno, assumindo a gestão da arena onde se realizam vários espetáculos, incluindo concertos, e touradas. O negócio, segundo o site Eco, foi fechado por 37 milhões de euros e, depois de um processo desencadeado pela insolvência do espaço, foi formalizado no último dia de outubro.

O consórcio vencedor é composto por Covões e o fundo Horizon Equity Partners, especializado em gestão de infraestruturas e liderado por António Pires de Lima (Ministro da Economia do governo de Pedro Passos Coelho, agora administrador executivo da Fundação Serralves e da Media Capital) e Sérgio Monteiro (Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações na mesma legislatura, ligado às privatizações dos CTT e da TAP), depois de chegado a acordo com a gestora judicial da insolvente Sociedade de Renovação do Campo Pequeno (SRUCP) e o banco credor, o BCP. De acordo com o estipulado, Covões deverá ficar com a arena, enquanto ao fundo caberá a exploração do parque de estacionamento. Recorde-se que a insolvência do Campo Pequeno fora decretada em 2014, tendo à altura a sociedade exploradora do equipamento dívidas que ultrapassavam os 100 milhões de euros - o BCP era o maior credor, com uma fatia de 90 milhões de euros.

A troca de donos pode, contudo, enfrentar agora um novo impasse. De acordo com o jornal Sol, a família Borges (SRUCP), acionista da sociedade que transformou o Campo Pequeno em centro comercial, avançou com uma ação administrativa contra um dos credores, a Casa Pia de Lisboa. Segundo a mesma, citada por aquele semanário, a família Borges acusa a Casa Pia de Lisboa de ser um "credor de má-fé", alegando que a praça de toiros é propriedade da Casa Pia que, por não ter meios para recuperar o espaço, recorreu à SRUCP para que esta remodelasse e recuperasse o imóvel, tendo para tal, apontam, sido feito um investimento de 91 milhões de euros. Na ação em causa refere-se que a insolvência da SRUCP em 2014 é "fundamento para a resolução imediata do contrato de concessão" pela Casa Pia de Lisboa, não encontrando a família Borges legitimidade na exigência da Casa Pia de "qualquer valor a título das obras efetuadas para pagamento do seu crédito". A SRUCP pretende, pois, ser indemnizada pelo reembolso das obras efetuadas.

Uma proposta de compra superior (em três milhões de euros) à do consórcio integrado por Covões terá sido apresentada pela IDS SGPS, avança o Sol, mas a mesma acabou por ser retirada por ser esperada uma situação de morosidade devido "ao futuro discurso sobre a validade de venda e/ou das propostas apresentadas".