Amália Rodrigues por António Santos-Santiagu
António Santos-Santiagu
Celebrar Amália 20 anos depois. Dos cartoons à casa de férias, do Porto ao Funchal
05.10.2019 às 9h30
A fadista, falecida a 6 de outubro de 1999, é homenageada em vários eventos por todo o país
Falecida a 6 de outubro de 1999, Amália Rodrigues é homenageada este mês em vários eventos por todo o país.
Na véspera do dia em que passam 20 anos sobre a morte da referência maior do fado, "Amar Amália" - espetáculo que homenageia a fadista através da voz de vários artistas portugueses - volta a subir ao palco. Na Altice Arena, em Lisboa, vai sentir-se Amália nas interpretações de Paulo de Carvalho, Dulce Pontes, Marco Rodrigues, Amor Electro, Aurea, Simone de Oliveira e Jorge Palma, sob direção artística de Diogo Clemente e Tiago Pais Dias. Os bilhetes custam de 30 a 80 euros e o espetáculo tem início às 21h30. O mesmo evento rumará a 8 de novembro ao Multiusos Guimarães e a 16 do mesmo mês ao renovado Pavilhão Rosa Mota (Super Bock Arena).
O pianista Júlio Resende apresenta a 8 de outubro um concerto de piano solo no Teatro da Trindade, em Lisboa. Trata-se de um espetáculo com Amália Rodrigues em mente, "uma abordagem livre numa espécie de carta aberta que [o artista] gostaria que tivesse sido lida pela própria Amália Rodrigues”, falecida há 20 anos. "De Júlio Resende para Amália Rodrigues" é descrita como "uma carta musical que recorda o percurso e amigos da fadista. Uma carta de saudade que não esquece o percurso em Hollywood onde Amália cantou e os amigos transatlânticos Vinicius de Moraes e Caetano Veloso" pelos quais também o pianista também nutre admiração, o pianista que compôs para Amália, Alain Oulman, Vitor Pavão dos Santos, "que lhe escreveu a sua melhor biografia", e o público da fadista. Os bilhetes custam entre 12 e 18 euros, começando o espetáculo às 21h00.
Patente desde 3 de outubro está uma exposição de caricaturas de Amália no Galeria Art Spot do Alameda Shopping, no Porto. Os trabalhos fazem parte do Prémio Especial de Caricatura do PortoCartoon-World Festival, organizado pelo Museu Nacional da Imprensa. Terminará no fim do mês.
O prémio de Melhor Caricatura foi atribuído ao português António Santos-Santiagu
António Santos-Santiagu
Também em Odemira se recorda Amália através de várias iniciativas que pretendem sublinhar a ligação da fadista com o concelho alentejano. No dia 12 de Outubro, entre as 10h00 e as 17h00, a casa de férias da Amália Rodrigues, sobre a praia que ficou com o nome da diva e junto ao Brejão, na freguesia de S. Teotónio, abrirá as suas portas para visitas. Às 17h30 será exibido “Amália – o Filme”, de Carlos Coelho da Silva, no Centro Sociocultural do Brejão. A partir das 21h30 haverá aí noite de fados com as fadistas Ana Valadas, Joana Luz e Fábia Rebordão. Até ao fim do mês, a Biblioteca Municipal José Saramago, em Odemira, recebe uma mostra documental sobre a vida e obra de Amália Rodrigues.
A 6 de outubro, a Câmara de Viana do Castelo vai promover, pelas 21h30, um espetáculo de homenagem à fadista. O espetáculo, com duração de cerca de uma hora e meia, revisitará os temas mais conhecidos da fadista e acontecerá na Praça da Erva, em pleno centro da cidade, próximo da rua que em 2008 deixou de se chamar Travessa do Hospital Velho para receber o nome da fadista. O espetáculo conta com a participação dos fadistas Filipa Menina, Maria Cunha e Jorge Gomes, acompanhados pelos músicos Francisco Vieira (guitarra portuguesa), João Martins (viola de fado) e Henrique Rabaçal (baixo acústico). O fado 'Havemos de ir a Viana', o poema de Pedro Homem de Melo que a fadista Amália Rodrigues imortalizou, é um dos temas 'obrigatórios' durante a romaria da Senhora da Agonia, na cidade minhota.
No Funchal, o Teatro Municipal Baltazar Dias recebe dia 9 pelas 21 horas um concerto de homenagem a Amália com a fadista Alexandra.
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“Não sou, nem de longe, a melhor voz que o fado já teve. Sou, isso sim, a pessoa com mais coisas negativas dentro de si. O fado gosta disso”. Numa entrevista publicada no jornal “A Capital” em 1990, por altura daquele que se tornaria o seu último álbum de originais, Amália Rodrigues confessava-se uma mulher-fado difícil de aturar, predestinada para cantar, mas avessa ao estatuto de mito. “É a minha maneira de ser que me dá cabo da vida, mas é graças à minha maneira de ser que tudo o que rodeia a Amália aconteceu”. Genial, lúcida, desassombrada e cortante, deixou-nos há 20 anos