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Rock in Rio 2019

“Fico muito ansiosa. Só respiro de novo quando acaba o último dia”. Roberta Medina antecipa Rock in Rio Brasil

Edição de 2019 do Rock in Rio começa esta sexta-feira no Rio de Janeiro e a BLITZ está em reportagem no local. A vice-presidente do festival falou connosco sobre o que espera para a próxima semana e meia, revelando também informação importante sobre a edição portuguesa de 2020

O Rock in Rio regressa esta sexta-feira ao Parque Olímpico do Rio de Janeiro e a BLITZ está em reportagem na cidade brasileira. Falámos com Roberta Medina, vice-presidente do festival, sobre o que se pode esperar nos próximos dias, recolhendo também uma informação importante sobre a edição de Lisboa em 2020, que decorre nos dias 20, 21, 27 e 28 de junho: os bilhetes vão manter o mesmo preço de 2018 (€69,00 por dia), apesar de na edição brasileira custarem perto do dobro.

No recinto brasileiro, o Rock in Rio receberá 700 mil pessoas ao longo de sete dias de evento, tendo os bilhetes esgotado em abril, em apenas 15 dias. "Com um evento desta dimensão não tínhamos esta expectativa", explica Medina, "o facto de estar esgotado é um alívio, porque financeiramente ficamos mais protegidos. A venda de bilhetes é um ponto super importante para a sustentabilidade financeira de qualquer projeto, então isso estar resolvido é muito bom. Mas, por outro lado, sabemos que temos de estar à altura das expectativas destes milhares de pessoas... Há esse peso da responsabilidade de entregar uma experiência memorável, mas é para isso que estamos aqui".

Em Portugal, Medina sabe que o mercado é diferente, "porque vendes ingressos até ao último minuto e as últimas semanas são muito importantes. Nunca sabes quando a conta se pagou ou sequer se está paga. Não tem muita piada. Adorei fazer o evento em Belém sem venda de bilhetes. É um sossego! Só nos concentramos nas coisas boas". A filha de Roberto Medina, fundador do Rock in Rio, acrescenta que uma dessas "coisas boas" é o facto de a edição de 2019 ter tudo trabalhado até ao último detalhe. "O Roberto diz que foi com isto aqui que sonhou quando sonhou com o Rock in Rio", diz, "mandou essa mensagem para a equipa inteira e ficámos todos super emocionados. A inspiração dele sempre foi a Disney, sempre disso isso, e agora o nível de entrega de cenografia, de magia... Já tínhamos chegado ao ideal no som, na luz, há tanta coisa que já conquistámos há muitas edições, mas o volume de entretenimento e o nível de acabamentos estão no ponto, desta vez".

"Surpreendemo-nos sempre, mas pela minha experiência não consigo ter esse distanciamento de encantamento", acrescenta, "sinto um peso muito grande da entrega. Fico ansiosa, sem saber se quero que comece ou que acabe. É óbvio que tem de começar, porque trabalhamos dois anos para isto, mas só respiro de novo quando acaba o último dia e toda a gente sai feliz daqui".

Sobre o facto de a Live Nation, considerada a maior empresa de espetáculos ao vivo do mundo, ser agora acionista maioritária do Rock in Rio, Medina mostra-se tranquila. "O Rock in Rio continua muito familiar. Não houve embate com a Live Nation porque apesar de eles agora serem maioritários a governância continua a ser do Roberto. Nada mudou em relação à gestão do Rock in Rio. A outra coisa boa é que eles não interferem. Se não fosse assim, também não teríamos feito uma sociedade com eles. Estive com o Michael Rapino [CEO da Live Nation] em dezembro e foi muito bom ouvi-lo dizer 'imagine se eu tivesse uns executivos aqui para irem ter com o seu pai e dizerem-lhe: agora o senhor vai fazer assim... eram mandados pelos ares'. A cultura de gestão da Live Nation é financeira: eles adquirem e nomeiam o seu diretor financeiro, mas o nível de confiança é tão grande que nomearam o nosso. Por direito, podiam nomear o deles, mas nomearam o nosso, o Duarte Leite, que está connosco há 14 anos".

"É muito bom, porque eles não estão aqui para dar bitaites. Até é ao contrário", continua, "nós é que estamos a insistir para que eles venham ver porque isto não se faz em lugar nenhum do mundo. Muitas pessoas da equipa deles não faz a menor ideia. Chegou um deles ontem, da área de compliance e disse: ‘agora percebi porque é que vocês não fazem isso todos os anos. A estrutura é gigantesca’". Medina acredita que há troca de experiência para fazer entre as duas empresas e congratula-se com o facto de não ter mudado nad ana gestão: "eles não acreditam nisso. Acham que se tirares a pessoa que sonhou e que construiu o evento. ele perde a personalidade e perde valor”.

O Rock in Rio recebe hoje no Rio de Janeiro atuações de Drake, Bebe Rexha, Ellie Goulding, Seal, Linn da Quebrada e, entre outros, Blaya. Nos próximos dias, o recinto montado na Cidade Olímpica assistirá a atuações de Foo Fighters, Bon Jovi, Dave Matthews Band, Red Hot Chili Peppers, Iron Maiden, P!nk, Muse ou Imagine Dragons.