Róisín Murphy camaleónica, dramática e efervescente no festival Lisb-On. Nem clássicos dos Moloko faltaram
09.09.2019 às 14h26
Ex-vocalista da banda britânica trouxe várias mudas de “pele” ao festival do Parque Eduardo VII e deixou a multidão em euforia
Os concertos da irlandesa Róisín Murphy em solo nacional, quer com os extintos Moloko quer em nome próprio, deixam sempre boas memórias a quem a eles assiste. Ontem, no festival Lisb-On, não foi exceção. 25 anos depois de a ouvirmos pela primeira vez com a banda de 'Sing it Back' e 15 depois de se ter estreado a solo com "Ruby Blue", registo totalmente ignorado no espetáculo deste domingo, a camaleónica artista assume estar a passar um dos períodos mais criativos da sua carreira e nem um dedo do pé partido - que fez questão de mostrar durante a entrevista à BLITZ antes do concerto no evento do Parque Eduardo VII - a travou na hora de puxar à dança. Com um alinhamento dedicado a fãs conhecedores, que, claro incluiu dois ou três temas mais conhecidos, Murphy mostrou que está cada vez mais dedicada a música produzida para a pista de dança.
Conhecida por levar o seu apurado sentido de moda para o palco, a artista entrou em palco com uma indumentária verde camaleão, imponente chapéu de palha na cabeça, luvas brancas nas mãos e óculos escuros a esconder o olhos azul mar, mostrando cedo que estava ali para fazer a audiência suar. As honras de abertura couberam a 'House of Glass', numa versão carregada de ginga, recuperada a "Hairless Toy", registo que editou há quatro anos e do qual mostraria também, momentos mais tarde, uma nervosinha 'Unputdownable' (massacrando um boneco prateado até à exaustão e abraçando-o no final como que a desculpar-se) e a efervescente 'Exploitation', que desembocou, para regozijo da plateia, na recuperação de 'Sing It Back', êxito supremo e intemporal dos Moloko.
Entre constantes mudas de roupa e movimentos de dança ora sedutores ora apatetados - chegou a tentar um twerk mal amanhado e um headbanging vigoroso a dada altura -, Murphy prova que nem sempre é necessária comunicação verbal para que o público de um concerto fique completamente vidrado no que se passa em palco. A voz metálica mas quente e a pose dramática encaixaram como uma luva em momentos despudoradamente house: a novíssima 'Incapable' transformou-se num dos momentos mais celebrados da atuação, mas a raridade 'Demon Lover', com os seus sintetizadores bojudos e as suas batidas secas, e a efervescência de 'Like', com direito a corações a voar no ecrã gigante, não deixaram pés quietos no chão.
A loucura de 'You Know Me Better', um dos maiores hinos do percurso a solo da irlandesa, a sedução de 'Ten Miles High', e, claro, o regresso aos Moloko para relembrar uma muito aplaudida 'Forever More', ajudaram a compor um espetáculo que terminou em grande festa. O hino estratosférico 'Overpowered' levou-a a empunhar um grande alvo, rebolar-se no chão e espernear como se quisesse expulsar um qualquer demónio que se apoderara de si e 'Flash of Light', colaboração com a dupla de produtores britânica Luca C & Brigante, trouxe-lhe uma relativa sobriedade antes de abandonar o palco. "Obrigado Lisboa!", despediu-se, antes de apresentar a banda, "tenham uma boa noite. A vossa cidade é linda, vocês são pessoas lindas, deviam ter muito orgulho".
'House of Glass'
'Demon Lover'
'You Know Me Better'
'Like'
'Unputdownable'
'Incapable'
'Exploitation' (com excerto de 'Sing it Back')
'Forever More'
'Overpowered'
'Flash of Light'
Ao longo de três dias, o recinto do Lisb-On, montado num dos espaços mais acolhedores do Parque Eduardo VII, recebeu também atuações de grandes nomes da música de dança, com DJ Vibe a protagonizar, antes do concerto de Murphy, um dos momentos mais memoráveis do festival, levando consigo para o palco o norte-americano Jamie Principle, voz de 'Your Love', um dos grandes clássicos da música house.
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