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Livro de poesia de Adolfo Luxúria Canibal editado ainda este ano

Leia um poema de “No Rasto dos Duendes Eléctricos”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Adolfo Luxúria Canibal, vocalista dos Mão Morta, terá ainda este ano mais um livro nos escaparates.

O músico bracarense, que se prepara para regressar aos álbuns com a sua banda de sempre, é uma das novidades da rentrée da Porto Editora, que editará o seu livro de poesia, ““No Rasto dos Duendes Eléctricos”.

Também este ano, Adolfo Luxúria Canibal lançou "Garatujos do Minho", um conjunto de crónicas publicadas no semanário Sol, durante dois anos, "tendo por objeto o Minho - os seus lugares, as suas gentes, a sua cultura e o seu património".

Desta feita, o autor mostrará a sua veia de poeta. Leia aqui um dos poemas do livro que sai em outubro, pela Porto Editora, e que reúne poemas escritos por Adolfo Luxúria Canibal entre 1978 e 2018.

É demencial Não há palavras que
consigam dizer o horror
Vi um pobre homem agarrado ao que
restava da sua mulher
Errando pela baixa
Os olhos fixos num horizonte perdido
Sem uma palavra Sem um som
Arrastando a carcaça desfigurada
Por entre o trânsito do fim da tarde
Passei sem conseguir dizer nada
Ninguém dizia nada O silêncio
Acompanhava o olhar vazio A dor
A vaguear por entre as ruínas e o trânsito do fim da tarde
As pessoas apressavam-se por causa
do cair da noite
E o pobre homem seguia um destino
sem rumo

Arrastando o seu cadáver