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Jonathan Wilson

Rita Carmo

“Enquanto andamos a dar concertos, o nosso país continua a ir pelo cano abaixo”. A entrevista com Jonathan Wilson em Paredes de Coura

Horas antes do primeiro concerto em Portugal, o músico norte-americano falou-nos sobre a por vezes “esquisita” vida na estrada e o disco novo que foi gravar com “a nata” dos músicos de Nashville

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Estreou-se ao vivo em Portugal no passado mês de agosto, com um concerto no Vodafone Paredes de Coura, e voltará a Portugal no final deste ano, marcando presença no Festival para Gente Sentada, em Braga, onde atuará “a solo, talvez com alguns instrumentos de cordas”. Horas antes de atuar no anfiteatro natural do Taboão, Jonathan Wilson sentou-se com a BLITZ e fez um breve ponto de situação da sua carreira, fazendo uma revelação: dentro de poucos dias haverá música nova.

Paredes de Coura é a última paragem de uma pequena digressão europeia. Como correu este conjunto de concertos?
Muito bem! Começámos na Holanda, no festival Down the Rabbit Hole, depois demos alguns concertos “de sala”, mais alguns em festivais... E acabámos de vir de um concerto esgotado em Bilbao, que foi divertidíssimo.

E teve oportunidade de descobrir a cidade?
Um pouco! Como tivemos algum tempo livre, preferi ir a San Sebastian, para ir à praia. Mas ontem ainda consegui ver Bilbao e fui ao [Museu] Guggenheim, muito fixe.

Quais foram os pontos altos desta digressão?

Todos gostámos muito de um concerto que demos na Dinamarca, numa espécie de estúdio de rádio para concertos de música clássica - foi muito giro. É bom estar de volta aos palcos dos festivais. Gostava de regressar [a Portugal] e tocar à noite, porque a energia é diferente. Não sei a que horas é que o sol se põe, aqui... tocar de dia também é bom, mas a noite traz outro sentimento.

Fez também uma digressão a solo pelos Estados Unidos. Descobre novas coisas nas suas canções, quando as apresenta assim?
Com certeza. Quando toco em acústico, gosto de voltar a pegar nas canções mais antigas do meu catálogo e de procurar coisas que tenho na minha cabeça e não tenho de mostrar à banda primeiro, por estar a tocar sozinho... Já está tudo muito confuso na minha cabeça, porque fiz concertos com banda, concertos a solo, concertos em dupla... Mas é sempre bom, porque cada concerto tem a sua própria cena.

Jonathan Wilson no Vodafone Paredes de Coura 2019
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Rita Carmo

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Jonathan Wilson no Vodafone Paredes de Coura 2019

Rita Carmo

Nos concertos desta digressão europeia, também foi buscar temas mais antigos?
Sim, tocamos muita coisa do “Rare Birds”, uma ou duas do “Fanfare”, uma ou duas do “Gentle Spirit”... é uma mistura. E também tenho um disco novo, que já está pronto. E já tenho tocado algumas dessas canções ao vivo, mas não com a banda. A primeira canção, o primeiro single, sai a 6 de setembro e o disco já está feito!

Quando sai o disco novo? Já tem título?
Vamos tentar que saia a 1 de março. Quanto ao título, ainda estamos a decidir... Depois aviso, quando tivermos o título final!

E já pode adiantar qual será a sonoridade do disco? É muito diferente dos anteriores?
É diferente, sim, porque para gravar o disco fui para Nashville e usei a nata da nata dos músicos de sessão de lá; a cidade tem toda uma indústria à volta desses músicos. Foi coproduzido pelo meu amigo Patrick [Pat Sansone], que é da banda Wilco. Tem muitos violinos, pedal steel… não é necessariamente um disco de música country, mas diria que tem um som bem americano.

Andou dois anos na estrada, a solo e com Roger Waters, e quando chegou a casa foi logo para o estúdio. Sem descansar?
Sem descansar! Zero! Mas, depois do concerto desta noite, vou tirar um mês de férias. Um mês sem fazer nada!

E ainda sabe o que fazer quando não está a trabalhar?
Sim! Vou à praia. A minha casa nova [na Califórnia] é a dez minutos do mar, o meu plano é todo esse.

Como foi regressar a casa depois de andar tanto tempo em digressão?
Às vezes é um pouco estranho, porque as coisas mudaram, as pessoas mudaram e às vezes seguiram com as suas vidas... Tu sentes que estiveste sempre lá, mas não estiveste. No meu caso, estive fora dois anos. Pode ser esquisito, porque de repente percebes que há pessoas que não vês há dois ou três anos. É um sentimento surreal.

E mesmo o país vai mudando...
Sem dúvida! Andar em digressão é sempre igual - vimos a festivais, damos concertos... Enquanto isso o nosso país continua a ir pelo cano abaixo. Às tantas até é melhor estar aqui.

Quando vemos as notícias de tiroteios e violência nos Estados Unidos, essa imagem não condiz com a mensagem transmitida pelos músicos que entrevistamos, geralmente pessoas pacíficas...

Sem dúvida. Infelizmente, os músicos e artistas são apenas um grupo minúsculo de um sítio tão gigantesco.

Jonathan Wilson regressa a Portugal em novembro, tocando no Festival para Gente Sentada a 15 desse mês.