Num mar repleto de guitarras, os baixos dos Gang of Four no EDP Vilar de Mouros são verdadeiras ilhas paradisíacas
25.08.2019 às 11h43
Banda britânica 'concorreu' com o clássico Benfica-Porto, mas não se deixou desanimar
“Está a dar o Benfica, pá. Se assim não fosse, isto estava cheio”, ouvimos dizer, aludindo ao jogo de futebol entre o S.L. Benfica e F.C. Porto que, por altura do concerto dos Gang of Four, se realizava no Estádio da Luz, em Lisboa.
De facto, o jogo entre os dois clubes teve o seu impacto no público dos Gang of Four – pode-se dizer que, no início do espectáculo, não seria tarefa impossível contar o público junto ao palco. A moldura humana só se começou a compor quando a equipa nortenha marcou o segundo golo, os festivaleiros perceberam que a coisa estava resolvida e já estava na hora de rumar ao interior do espaço do festival.
Com algum atraso (algo que não tem sido comum nestes três dias de festival), o concerto dos britânicos inicia-se com “Not Great Men”, canção de baixo bem saliente, encharcado de overdrive, ao bom estilo do pós-punk - sendo este um género bastante presente no ADN da banda, é normal que as linhas graves se destaquem em grande parte das músicas, não obstante a clara hegemonia de guitarras.
A história prossegue com “Isle of Dogs”, canção que a banda interrompe por causa de um problema com o jack da guitarra de Andy Gil, fundador e o único da formação original a manter-se até aos dias de hoje. Segue-se “I Parade Myself”, canção repleta de noise, característica que nos ajuda a perceber a fonte de inspiração que os Gang of Four foram para bandas como os Nirvana – Entertainment!, o trabalho de estreia dos britânicos, editado em Setembro de 1979, surge na lista dos 50 álbuns predilectos de Kurt Cobain.
Até ao final há ainda tempo para “I Love a Man in Uniform” e “Damaged Goods”, duas das canções mais emblemáticas da banda de Andy Gill.
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