“Da última vez que cá estivemos, não estava tanta gente”. A breve mas intensa missão dos Linda Martini no EDP Vilar de Mouros
25.08.2019 às 11h29
No festival minhoto a banda lisboeta tocou alguns dos temas que marcam a sua próspera carreira e houve ainda tempo para uma inspirada versão de Jorge Palma
“Frágil” foi interpretada sensivelmente a meio do concerto, depois dos Linda Martini terem servido “Gravidade”, do álbum homónimo de 2018. O clássico de Jorge Palma ganhou, na leitura da banda lisboeta, uma nova leitura. Recheio lírico de um dos mais conceituados cantautores portugueses e carcaça rija pelas mãos de Hélio Morais, André Henriques, Cláudia Guerreiro e Pedro Geraldes. Perfeito para um alinhamento que ainda teve pela frente “Putos Bons” e a habitual “Cem Metros Sereia”.
O espetáculo dos Linda Martini iniciou-se no “Semi Tédio dos Prazeres”, com as guitarras a arrastarem-se sobre a cama de graves de Cláudia Guerreiro, explodindo no final e abrindo alas para o mar de tempos e contratempos de “Caretano” e, logo depois, “Boca de Sal”. O cenário é simples, de bom gosto, e baseia-se num fundo com a capa do mais recente álbum a simular uma televisão antiga com interferência (a comummente chamada “chuva”).
“Nós somos os Linda Martini, é um prazer estar de volta”, partilham com os presentes. “Da última vez que cá estivemos, não estava tanta gente. Esperemos que gostem tanto como nós”, acrescentam antes de se atirarem a “Unicórnio de Santa Engrácia”, vestido de luzes vermelhas. Segue-se “Amor Combate”, uma das mais belas e intensas malhas do grupo, retirada de Olhos de Mongol, álbum de 2006. O início é ténue e envolvente, mas a manifestação súbita de guitarras e bateria dá-lhe toda uma nova personalidade, nervosa e irrequieta. Bate sempre ao vivo.
Relacionados
-
'Crowdsurfing', loucura e um colchão insuflável. O EDP Vilar de Mouros disse adeus com os Gogol Bordello
Na despedida da edição de 2019 do festival minhoto, o público fez a festa ao som do punk cigano nova-iorquino. Uma relação mutuamente benéfica
-
O estrondoso concerto dos Prophets of Rage no EDP Vilar de Mouros. Se a cantiga é uma arma, eles são o gatilho
Apoteótica atuação da superbanda no terceiro e derradeiro dia do festival, garantindo-lhes, assim, a distinção do melhor concerto da edição deste ano. A banda de Tom Morello não deixou pedra sobre pedra
-
EDP Vilar de Mouros anuncia datas para 2020 e faz o balanço da edição deste ano
Os números de 2019 e as datas da edição do próximo ano