'Crowdsurfing', loucura e um colchão insuflável. O EDP Vilar de Mouros disse adeus com os Gogol Bordello
25.08.2019 às 11h19
Na despedida da edição de 2019 do festival minhoto, o público fez a festa ao som do punk cigano nova-iorquino. Uma relação mutuamente benéfica
A primeira grande tarefa num concerto dos Gogol Bordello é perceber quem faz o quê. O rodopio é tamanho que, por vezes, quando nos preparamos para assentar os olhos na pessoa que toca instrumento A ou B, ela já não se encontra na mesma posição, exceptuando, claro, o baterista, que por razões óbvias não sai do sítio. Mas eis o que conseguimos contar no palco: bateria, percussão (que também assume as vozes sempre que pode), baixo, voz principal (que também toca viola acústica), violino, voz secundária (que toca bombo popular de vez em quando) e guitarra elétrica. São estas as armas dos Gogol Bordello (perdoem-nos se tiver escapado alguma), prontas a serem sonicamente arremessadas para a plateia.
A segunda grande tarefa num concerto dos Gogol Bordello é tentar perceber quem se diverte mais. Se o público, que passa grande parte do concerto a dançar e a cantar as músicas do colectivo, se os próprios artistas, que, em cima de palco, parecem ser eles próprios os festivaleiros. “Not a Crime”, “Immigrant Punk”, Saboteur Blues”, “My Companjera” e “Alcohol” são algumas das músicas escolhidas para uma primeira fase mais serena (chamemos-lhe assim) do concerto. Eugene Hütz, o frontman da banda, percorre o alinhamento ao mesmo tempo que toca viola acústica e dá umas boas golfadas de uma garrafa que, cá de trás, nos aparenta ser de vinho. Tira o casaco a dada altura, fica em tronco nu pouco depois. Começa o verdadeiro alvoroço.
Do nada, a plateia perde as estribeiras. Há crowdsurfing, arremesso de copos de cerveja, pessoas às cavalitas umas das outras, um flamingo perdido e uma cama insuflável a pairar sobre a linha da frente. E aparenta ser contagioso. No palco, o coletivo parece ter sido submetido a uma injecção de adrenalina, de tal forma que numa das passagens entre os temas, um dos músicos puxa o cabo de microfone e traz a coluna de monitorização atrás, obrigando a equipa técnica a intervir. “Valeu, valeu valeu”, repete Hutz por diversas vezes, num português abrasileirado, retirado do seu Gogol Tradutor, como forma de reconhecer a simbiose entre público e banda. A festa está mais do que armada.
Excelente forma de encerrar a edição deste ano do EDP Vilar de Mouros.
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