Sisters of Mercy em 2017 (em Vilar de Mouros a banda não autorizou fotografias)
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Sisters of Mercy no EDP Vilar de Mouros. Está escuro, está muito escuro
24.08.2019 às 19h21
Falta de garra quase comprometeu o concerto dos veteranos do rock gótico em Vilar de Mouros. Valeu uma boa cartada perto do final, com os sucessos que deixaram marca (a banda não se deixou fotografar)
Há muito mais gente no segundo dia do que no primeiro, e isso conclui-se facilmente pela quantidade de pessoas concentradas junto ao palcos, pelo aumento das filas nas zonas de comida e bebida. Há muitas t-shirts dos norte-americanos The Offspring espalhadas pelo recinto. A noite é claramente deles.
Mas por enquanto é tempo de ouvir Sisters of Mercy, que, a julgar pelas vestimentas pretas e algumas maquilhagens a condizer, também terão arrastado os seus devotos ao festival minhoto. E se ontem os decibéis dos Therapy? andaram nos limites do suportável, a mistura dos Sisters of Mercy careceu hoje de volume para que pudesse sequer chegar em condições à zona da régie. “More”, um dos maiores clássicos da banda, logo a abrir, saltou frouxo, sem alma. “Ribbons” e “Doctor Jeep” seguiram-lhe o exemplo: pouca guitarra, vozes perdidas, bateria tímida.
Só em “Crash and Burn” é que a coisa começa a prosperar. “No Time To Cry”, “First and Last and Always” e “Marian” (em curiosa tonalidade cor-de-rosa) já soam melhores, mais presentes e possantes, não chegando, porém, para afugentar a sensação de que, até à data, este está a ser um concerto com uma temperatura muito baixa, quase a formar gelo.
Para o final, há um poker que evita o pior. “Lucretia My Reflection”, com o cenário pintado de azul, “Vision Thing”, “Temple of Love” (macacos nos mordam se este riff não é sacado da “Fear of the Dark”, dos Iron Maiden) e “This Corrosion”, interpretados com outra garra e volume (às tantas pareceu estarmos perante outra banda completamente diferente), contribuem para que a memória não se ancore exclusivamente na face negra deste espectáculo.
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