Quem disse que a idade é um estado de espírito? Foram os House of Love, no EDP Vilar de Mouros
24.08.2019 às 11h52
Uma glória inglesa dos anos 80 que ainda esta aí para as curvas
Directamente do baú das recordações, os The House of Love são o segundo coletivo a pisar o Palco MEO na segunda noite de festival. E fazem-no com o fulgor de uma banda teenager, daquelas que actuam nas festas de colégio, apesar de, claramente e compreensivamente, já não o serem. Mas o que interessa aqui destacar é que, apesar dos cabelos brancos, Guy Chadwick (63 anos), vocalista e líder, guarda uma agilidade exemplar, quer na guitarra quer na voz - não obstante o facto de esta por vezes ser engolida pela avalanche de ondas sonoras oriundas dos amplificadores.
“Christine”, uma das primeiras a pular dos altifalantes montados nas laterais do palco, pintada de luz amarela, traz consigo uma quantidade elevada de overdrive que compete a todo o instante com as cordas vocais do nosso Dizzy (digam lá que, quando era jovem, Chadwick não se parecia com a personagem interpretada por DJ Qualls no filme “New Guy”?), deixando-se de compreender, por diversas vezes, as palavras debitadas ao microfone. Nada que o público – umas boas centenas que, por esta hora batalham simultaneamente com uns famintos mosquitos (tem sido desde ontem uma luta ingrata) – não ajude a compensar.
O concerto é constante no volume e na entrega, com poucas palavras endereçadas ao público. Contudo, este não parecer ser um daqueles casos de frete ou de obrigação de calendário – os The House of Love parecem mesmo estar a tirar proveito deste momento em Vilar de Mouros, apesar da vertente pouco comunicativa. Em “Plastic”, abrandam ligeiramente os motores e desactivam os pedais para, passadas umas músicas, regressarem ao registo inicial com “Shine On” (é impossível não achar piada ao “sheesheeshee” do refrão desta música, facilmente traduzível para a nossa língua).
“I Don’t Know Why I Love You” surge, lá mais para a frente, numa toada Lou Reed (algo próximo de um “Walk on the Wild Side”, vá...), mas rebenta imediatamente em nova distorção harmónica, algo que resulta sempre bem em contexto de festival. Sim senhor.
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