Punk rock e uma nuvem de pó. O 'inferno' dos Offspring na segunda noite do EDP Vilar de Mouros
24.08.2019 às 11h10
Perante lotação esgotada (18 mil pessoas, segundo números da organização), a banda californiana serviu um concerto exemplar, onde não faltaram canções dos seus mais emblemáticos álbuns e até uma cover de AC/DC. "Isto é incrível", disseram os Offspring
O concerto inicia-se com “Americana”, tema do trabalho com o mesmo nome, albergue das universais “Pretty Fly (For a White Guy)” e “Why Don’t You Get a Job?”, ambas presentes no alinhamento para a noite, mas também de “Have You Ever”, “Feelings” e “She’s Got Issues” (a história da rapariga de cabelo vermelho que vê o mundo com outros olhos...), canções que apesar de não terem sido trazidas a palco, espelham bem a dimensão de um dos melhores trabalhos do coletivo.
Segue-se uma visita a Ixnay on the Hombre (1997), à boleia de “All I Want”, e uma paragem no aclamado Smash (1994, o ano de outra obra-prima, Dookie, dos conterrâneos Green Day) com “Come Out And Play”, para depois atravessar Conspiracy of One a galope de “Want You Bad”, altura em que surge no ecrã imagens de um elemento do público a fazer crowdsurfing, prática que se manteve ativa até ao final do espetáculo.
Do lado de lá, Dexter e companhia servem as suas músicas e deixam-se impressionar pela audiência de Vilar de Mouros. “Isto é incrível”, “grande ambiente”, “melhor público do ano” são algumas dos elogios lançados do palco pelos elementos (Noodles, o guitarrista, é um dos mais comunicativos da trupe). Do lado de cá, os devotos não deixam passar uma canção que seja em branco. Quando não dá para o moshpit, como acontece na balada de voz e piano “Gone Away”, cantam-se as letras de ponta a ponta, sem falhar uma sílaba.
“Original Prankster”, o tema que nunca deveria ter sido gravado (além de ser péssimo, conta ainda, na versão de estúdio, com uma participação insípida de Redman), abre alas a um muito aplaudido “Starring at the Sun”, num novo olá a Americana, e prepara terreno para “Whole Lotta Rosie”, cover de AC/DC que enche prontamente as medidas dos fãs dos australianos.
Ouvem-se ainda “Bad Habit”, novo incentivo ao mosh, e a dupla “Why Don’t You Get a Job?” e “Pretty Fly (For a White Guy)”, cantadas de fio a pavio e com várias bolas insufláveis a serem largadas no seio da plateia para o público brincar enquanto a banda serve as músicas (desnecessário, convenhamos).
A arrepiante “The Kids Aren’t Alright” é deixada para última, antes do encore. É incrível como estes riffs nos transportam imediatamente para o rodopiante videoclipe que vai tirando corpos do interior de outros como se de uma gigantesca matrioska humana ou de um vórtex de consciencialização se tratasse. É uma canção incrível, com uma mensagem também ela muito forte. A reacção do público é imediata assim que soam os primeiros acordes: mais investimento nas rodas de mosh e, por conseguinte, um adensar da nuvem de pó que se ergue sobre as nossas cabeças. O terminus dá-se, pouco depois, com “Self Esteem”.
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