Brexit, racismo e preconceito. A enérgica lição dos Skunk Anansie no EDP Vilar de Mouros
24.08.2019 às 10h56
No regresso a um país onde já foi muitas vezes feliz, Skin foi igual a si própria e deixou mensagens fortes num concerto intenso. "Vamos vencer o fascismo!", afirmou
“Vou descer”, partilha Skin ao microfone, a meio de “Little Baby Swastikkka”, a última música do alinhamento. A temperatura sobe à medida que a artista britânica percorre o corredor central (“vai maluca”, brinca alguém ao nosso lado), sobe as barreiras antipânico e pede ao público que se agache, para depois saltar quando a ordem for dada. Skin solta as palavras mágicas, regressa ao tema que deixou a marinar, termina a actuação e abandona o palco sob tremenda ovação.
Os Skunk Anansie, que sopram a sua 25ª vela este ano, fazem parte de um extensa lista de artistas que provavelmente conhece melhor Portugal do que muitos portugueses. E isso não só faz com que os próprios estreitem relações com o nosso país mas também com que o público se desfaça em entusiásticas demonstrações de amor para com eles. Foi precisamente o que aconteceu nos primeiros momentos da actuação, ontem, quando a vocalista desceu ao fosso para interpretar partes dos temas “All In The Name Of Pity” e “I Can Dream”. Braços esticados para tocar na artista, telemóveis com a mira apontada e gritos, muitos gritos.
Os anos parecem não passar por Skin, sendo que esta constatação diz respeito não só ao seu visual, imaculado, mas também ao seu desempenho vocal - não vale a pena falar da energia em palco, pois esta comprovou-se nos primeiros minutos do concerto. Em “Secretly”, balada emblemática do colectivo, correspondida de forma unânime na plateia, Deborah Dyer percorre os altos e baixos das melodias como quem se passeia de bicicleta ao longo de uma estrada recta, sem ter que fazer qualquer esforço adicional para que as correntes deslizem sobre a roda dentada do veículo, ou seja, traduzindo por miúdos, sem precisar de grandes ginásticas para que a sua voz viaje eficazmente até ao microfone.
Nos concertos de Skunk Anansie há espaço para os velhinhos clássicos – “Hedonism”, “Charlie Big Potato” e “Weak” são alguns exemplos – mas também para temas mais recentes, como “What You Do For Love”, lançado este ano, ou “Love Someone Else”, de 2016. Há também espaço para política quando, a dada altura, Skin evoca questões como o Brexit, racismo e discriminação. “Primeiro vêm atrás de nós porque somos imigrantes, depois vão atrás de vocês porque ouvem música feita por imigrantes”, alerta. “Vamos vencer o fascismo!”, remata
Relacionados
-
Punk rock e uma nuvem de pó. O 'inferno' dos Offspring na segunda noite do EDP Vilar de Mouros
Perante lotação esgotada (18 mil pessoas, segundo números da organização), a banda californiana serviu um concerto exemplar, onde não faltaram canções dos seus mais emblemáticos álbuns e até uma cover de AC/DC. "Isto é incrível", disseram os Offspring
-
20 fotos do concerto escaldante dos Offspring no EDP Vilar de Mouros
As imagens de um espetáculo que ficará na memória do festival minhoto. Dentro e fora de palco