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António Variações (esq.) e Sérgio Praia no papel de António Variações (dta.)

Rui Pregal da Cunha (1) / João Pina (1)

“Variações” à lupa. 10 aspetos do filme sobre António Variações a que vale a pena estarmos atentos

Vimos a 'biopic' de António Variações, que se estreia esta quinta-feira, e contamos-lhe o que pode esperar. Entre visões e ficções

“Variações”, biografia cinematográfica de António Variações, filme realizado e com argumento de João Maia (“Programa da Maria”, curta-metragem “O Prego”), chega às salas de cinema esta quinta-feira. Depois de um percurso conturbado – passaram-se quinze anos desde que o realizador garantiu um subsídio para escrever o guião de “Variações” –, o filme estreia no ano em que se assinalam 35 anos da morte do músico, cantor e compositor autodidata, e 75 do seu nascimento. A BLITZ viu um filme e troca-o por miúdos.

1. Não se conta toda a história da vida de António Variações

Centrado no período entre 1977 e 1981, “Variações” coloca em destaque a vontade de vencer, à sua maneira, de Variações, lutando sempre para mostrar as suas canções e não se deixar manipular pela indústria. É a caminhada até aos primeiros singles que aqui testemunhamos, não o pico do sucesso e os últimos anos da vida do músico, tragicamente interrompida em 1984. Sérgio Praia, que já tinha também encarnado Variações na peça de teatro “Variações, de António”, dá vida a António Variações. Junto com Filipe Duarte (Fernando Ataíde) e Victoria Guerra (Rosa Maria), fundadores da discoteca Trumps, espaço lisboeta onde daria os seus primeiros concertos, Praia representa de forma eletrizante um músico com sede de viver, emprestando a sua própria voz às canções de "Variações".

João Pina

2. Também há ficção em "Variações"

Num aviso exibido no final do filme, pode ler-se que, apesar de baseado em factos reais, este não deixa de ser um filme de ficção, pelo que alguns momentos poderão não ter acontecido exatamente como surgem retratados na película.

3. A infância de Variações é importante

No filme, a infância musical de Variações, na freguesia de Fiscal, em Amares, no Minho, ficou marcada pela Visita Pascal, durante a qual quatro barcos fazem uma viagem de barco no rio Homem, levando consigo não só o pároco e acompanhantes, como também uma banda de música e um fogueteiro, que lança foguetes no meio do rio.

João Pina

4. Amália, como não poderia deixar de ser

É também durante a infância que se apaixona pela voz de Amália Rodrigues, que idolatra toda a sua vida, chegando a atuar na primeira parte de um concerto seu, na Aula Magna, em Lisboa, no ano de 1983. A primeira música que se ouve em “Variações” é ‘Povo Que Lavas no Rio’, tema popularizado por Amália que o músico gravaria e editaria, em 1982, em jeito de homenagem, como lado B do single ‘Estou Além’.

5. A vida em Amesterdão não é esquecida

Em 1977, quando Variações se encontrava a viver em Amesterdão e a trabalhar como barbeiro, o jornalista e radialista Luís Vitta – que, no ano da morte de Variações, 1984, colaborou na fundação do jornal BLITZ – aproveitou o facto de ir à cidade holandesa a um concerto dos Sex Pistols para conhecer o músico, depois de ter recebido uma cassete por ele enviada com uma maquete de ‘Visões-Ficções (Nostradamus)’.

6. Variações, o autodidata na casa de banho

Foi uma caixa de ritmos, oferecida por um elemento da primeira banda com quem ensaiou, que ajudou António Variações a conseguir gravar as suas maquetas, na casa de banho, como gostava de fazer, cantando dentro de ritmo.

7. Vemo-lo a pentear Pedro Ayres Magalhães e a história diz que foi no primeiro concerto dos Xutos

Além de cortar cabelo a várias figuras da rádio e televisão, no filme vemos Variações a a pentear Pedro Ayres Magalhães, então n’Os Faíscas, antes de este entrar em palco num concerto na Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo (Variações esteve, efetivamente, a cortar cabelo na noite onde os Xutos & Pontapés deram o primeiro concerto, nos Alunos de Apolo, em janeiro de 79).

8. O clique de Variações não foi instantâneo

Tal como sucedeu na realidade, vemos no filme que a editora Valentim de Carvalho, com a qual assinou contrato em 1978, queria transformar o artista minhoto num Frei Hermano da Câmara mais “folclórico”. Só quatro anos depois, o músico editaria o single ‘Estou Além’, composto por si, enfrentando assim a vontade da editora, que queria que cantasse temas compostos por outros.

9. O Trumps enquanto espaço de liberdade

Foi alegadamente na discoteca Trumps que Variações cantou pela primeira vez em público ‘Canção de Engate’, que seria editada no seu segundo álbum, ‘Dar & Receber’, um mês antes da sua morte. O espaço da capital lisboeta, fundado por Rosa Maria e Fernando Ataíde, é uma das 'casas' de Variações

João Pina

10. A mãe, sempre

Foi pouco antes de o artista morrer que a mãe de Variações, Deolinda de Jesus, viu o filho em concerto pela primeira vez. No filme, vemo-lo a cantar ‘Deolinda de Jesus’, tema dedicado à mãe que seria incluído, também, em ‘Dar & Receber’.