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Marlon Williams

Rita Carmo

Ele canta, ele representa, ele conheceu Lady Gaga e Bradley Cooper. Entrevista com Marlon Williams, um faz-tudo da Nova Zelândia

No regresso a Portugal, Marlon Williams falou connosco sobre a sua participação em “Assim Nasce Uma Estrela”, as canções novas que já está a escrever e o encanto imorredouro da canção de desamor

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Entrou nas nossas vidas no ano passado, com “Make Way For Love”, um álbum de coração partido mas muita luz ao fundo das canções. No último verão, estreou-se em Portugal, dando um belíssimo concerto no Vodafone Paredes de Coura, e desde então voltou para tocar em Braga, Lisboa e, mais recentemente, no Super Bock Super Rock. Ao pôr-do-sol, Marlon Williams, crooner e performer de primeira água, deu à BLITZ uma entrevista bem-disposta e reveladora. Da sua participação no filme “Assim Nasce Uma Estrela” aos planos para o terceiro disco, eis uma conversa sorridente com o neozelandês mais badalado do momento.

Marlon Williams fotografado no Meco, a 18 de julho de 2019

Marlon Williams fotografado no Meco, a 18 de julho de 2019

Rita Carmo

Esteve em Portugal no ano passado, para três concertos, e desde então não tem parado de atuar ao vivo. Isso faz com que esteja cada vez mais descontraído em palco?
Enquanto estou em palco, não reparo. Porque estou a viver o momento, furiosamente, e cada momento não é muito diferente do anterior. Mas se compararmos o princípio e o fim de cada digressão, aí a diferença é grande.

E nota-se que se diverte muito, em palco...
Eu geralmente tento divertir-me o máximo que posso, e o mais intensamente que consigo.

Segundo o site setlist.fm, até em estádios já deu concertos!
Provavelmente! Já demos tantos concertos. (risos) Mas sim, andámos em digressão com Florence and the Machine e demos alguns concertos maiores. Também já tocámos com orquestra, o que foi bom. Temos tido muitos formatos de espetáculo diferentes.

E o que é que esses concertos muito grandes, de estádio, lhe ensinaram?

Ensinaram-me que há um limite para aquilo que podemos fazer em palco para tentar chegar às pessoas que estão ao fundo do estádio. Se quiseres encher um estádio, tens de gastar mais dinheiro. A menos que sejas o Ed Sheeran, que faz tudo com base na guitarra. Mas se quiseres dar um concerto com banda, tens de dar tudo.

Fala de ecrãs gigantes, pirotecnia?

Sim, senão não resulta, porque as pessoas não te conseguem ouvir nem ver. São coisas práticas, mesmo!

A menos que se seja, realmente, o Ed Sheeran, que ainda recentemente deu dois concertos de estádio em Lisboa, praticamente só com guitarra...

Sim, ele conseguiu sabotar o sistema todo, de alguma forma!

Em palco no Super Bock Super Rock, no Meco

Em palco no Super Bock Super Rock, no Meco

Rita Carmo

Neste concerto no Super Bock Super Rock, apresentou duas canções novas. O que nos pode dizer sobre elas?
Para mim, andar em digressão é como fazer trabalho de campo. Toco umas canções novas, vejo como funcionam e depois levo-os para o estúdio, tentando perceber como resultarão no mundo real. Ainda tenho muito que escrever, para o próximo álbum, mas ao mesmo tempo já tenho uma ideia de como soará. Há muitos elementos desesperados à solta, terei de ver como faço um álbum com isso.

Já tem ideia de quando sairá o disco novo?
Não, mas espero gravá-lo ainda este ano. Por isso talvez saia em meados do próximo ano.

E a canção cantada em maori, como nasceu?
Isso foi outra experiência. Achei surpreendentemente libertador, escrever em maori, porque não falo muito bem a língua. Quando tens recursos limitados, torna-se mais fácil escrever. Para mim, o problema de escrever em inglês é o meu vocabulário ser suficientemente grande. É mais fácil escrever numa língua em que sou mais limitado. As letras são estas, como estender uma metáfora ao longo da canção?

Quantas pessoas falam maori na Nova Zelândia?
Poucas! O governo neozelandês está a tentar que mais pessoas falem maori. Mas o inglês é a força dominante.

No ano passado vimo-lo fazer um cameo no filme Assim Nasce Uma Estrela. Foi o Bradley Cooper que o convidou, certo?
Sim, é uma história à moda antiga! O Bradley Cooper ouviu-me na rádio e foi ao meu concerto em Los Angeles, no Troubadour. E escreveu uma cena para eu aparecer. Foi espetacular e muito bizarro.

Quanto tempo durou essa experiência?
Estive dois dias em Los Angeles para gravar a canção.

Foi divertido?
Divertido dentro da maluquice. Não é o meu mundo. Pude andar nos Village Studios, em Los Angeles, conhecer toda a gente... foi como ir à Disneylândia.

E como foi ver o filme, depois de terminado?
Isso foi estranho, ir à estreia em Los Angeles. Fiquei atrás do Jerry Seinfeld e do Steven Spielberg. Estava no cinema a ver o filme, como se estivesse a ver o Transformers, ou assim. E de repente estou no ecrã. Foi muito desconcertante.

Ficou surpreendido com o sucesso do filme?
Nem por isso! Se tinha a Lady Gaga e o Bradley Cooper! Mas fiquei impressionado com o Bradley Cooper, em todos os sentidos. Ele foi escritor, realizador, cantor, performer, ator... Vê-lo a controlar todo o seu mundo, participando em tudo, foi incrível.

Aparentemente foi o Eddie Vedder que lhe ensinou alguns truques de como encarnar um músico...

E esteve muito bem! Claro que, como músico, vi o filme com muita curiosidade, mas acho que se safou muito bem.

Há quem diga que as próximas estrelas de cinema serão as grandes estrelas da música, depois dos biopics dos Queen e de Elton John...
É o sabor du jour. É interessante que os miúdos fiquem a conhecer a música dos Queen e do Elton John através destes filmes. Pergunto-me como será descobrir a sua música através de versões, através destas atuações, e depois conhecer os originais.

O “Bohemian Rhapsody” foi muito eficaz nesse sentido...
Então não? Os Queen são gigantes outra vez. O mundo vai passar a funcionar de formas estranhas e todos vamos ter de nos habituar a isso.

O seu nome apareceu numa lista de melhores escolhas para fazer de Elvis Presley na sua biopic...
Ai sim? Acho que seria demasiado óbvio. Admiro demasiado o Elvis para tentar representá-lo num filme.

Também lá aparecia a Kristen Stewart.
A sério?
A Kristen Stewart? Seria como o “I’m Not There”, com a Cate Blanchett a fazer de Bob Dylan. Gostava de ver isso!

Mas já fez alguns trabalhos de representação, certo?
Sim, no último ano fiz dois filmes, o que foi todo um mundo novo. Daqui a uns meses estreia um deles, sobre o Jesse James da Austrália, Ned Kelly [“True History of the Kelly Gang”].

Mas sempre foi uma aspiração sua?
Não sei, simplesmente aconteceu, tal como muitas coisas na minha vida. Parece que o que vem a seguir é isso, e está tudo bem. Veremos como corre.

Dessas coisas que lhe vão acontecendo, qual foi, até agora a mais inesperada?
Provavelmente o “Assim Nasce uma Estrela”, continua a ser bizarro. Até me esqueço que aconteceu, até que alguém vê o filme e me vem falar disso.

Muitas vezes é apresentado como um mestre do desgosto amoroso, devido à inspiração do seu álbum, “Make Way For Love”. Acha que, na arte e em particular na música, o desgosto amoroso é muitas vezes glorificado?
Ah, sim. É muito glorificado e indulgente, mas o amor é indulgente. E está sempre à nossa volta. Por alguma razão as canções tristes serão sempre rainhas. Porque está em todo o lado e toda a gente consegue pôr o seu ego dentro de uma canção sobre desgostos amorosos. Sem medo de represálias, porque todos pensam que o desgosto é seu. Não vejo que isso vá mudar.

É um tema muito inclusivo?
É muito inclusivo e ao mesmo tempo exclusivo, porque toda a gente acha que é do seu desgosto que a canção fala.

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Marlon Williams fotografado no Meco, a 18 de julho de 2019
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Marlon Williams fotografado no Meco, a 18 de julho de 2019

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