Vampire Weekend no NOS Alive, ou quando os mais melodiosos dos geeks tentaram instalar o verão em Algés
13.07.2019 às 1h48
No seu sétimo concerto em Portugal, a banda de Nova Iorque deu um concerto natural como a sua sede (de verão)
O recinto ainda se está a vestir de público quando os Vampire Weekend entram em palco com o peso do mundo às costas. Afinal, sobre as cabeças de Ezra Koenig, Chris Baio e Chris Thomson, os membros de raiz da banda norte-americana, acompanhados por quatro músicos extra, pende um globo terrestre, o mesmo que ornamenta a capa do recente "Father of the Bride", o seu primeiro disco em seis anos. Seis anos foi também a duração da ausência dos Vampire Weekend de palcos nacionais; foi precisamente no NOS Alive, onde esta noite tocaram pela terceira vez, que a rapaziada de Nova Iorque se apresentou pela última vez entre nós. "Sei que parece conveniente dizer isto agora", afirmou Ezra Koenig hoje, "mas muitos dos melhores concertos da nossa carreira aconteceram em Portugal. Prometemos que desta vez não vamos demorar seis anos a voltar".
Apresentando um alinhamento equilibrado, no que toca à distribuição de canções por álbum, os Vampire Weekend entraram em jogo de forma leve e descontraída, emprestando desde logo o tom para o resto do serão. A certa altura, entre 'This Life' e 'Harmony Hall', duas das canções mais orelhudas do novo álbum, um festivaleiro a nosso lado livrou-se dos chinelos, ficando descalço sobre a relva artificial do NOS Alive. Noutros momentos, nomeadamente nos regressos ao álbum de estreia, à boleia dos êxitos 'Cape Cod Kwassa Kwassa' e 'A-Punk', provou-se na noite cálida de Algés que não há amor como o primeiro, com a plateia a lançar-se em danças saltitantes e coros de alegria pura.
Se a missão dos Vampire Weekend fosse instalar o verão junto ao rio, diríamos que a instalação se teria ficado por uns simpáticos 78%. Ao quarto álbum, o trio (ao vivo, um T3 + 4) continua a cruzar um apelo pop irresistível com um requinte que se deteta nos arranjos e pequenos pormenores inesperados, irrompendo pelas melodias como pedacinhos de avelã num pacífico gelado de baunilha. Assim sucede na nova 'Bambina', com o público crescendo em número e também em entusiasmo, ou nos riffs suculentos de 'Sunflower', também do álbum deste ano. À frente de uma banda com dupla percussão e teclados que reproduzem todo o tipo de efeitos, Ezra Koenig é um líder natural, comunicando com a mesma naturalidade com que o som da sua banda flui. Orgânico, sem esforço e sem oposição, mas por vezes também sem grande celebração, uma vez que, exceção feita às filas da frente, o público parece algo apático.
Perto do final, o corridinho duplo de 'Diane Young' e 'Cousins' desperta o público, e uma versão de 'Joker Man', de Bob Dylan, é um trunfo inesperado no alinhamento. A um fã cujo nome entretanto esqueceram os Vampire Weekend dedicaram ainda a pacata 'Hannah Hunt', da colheita de 2013; um luxo para o admirador, que acabou por ter uma canção praticamente só para si (boa parte do público aproveitou o desaceleramento para pôr a conversa em dia).
E como não há praia sem bolas, na despedida, com 'Worship You' e 'Ya Hey', dois globos terrestres insufláveis semelhantes ao que enfeitava o palco desceram sobre a cabeça dos espectadores, de repente empenhadíssimos em participar no jogo, perdão, no concerto.
A próxima partida, ficaríamos a saber pouco depois, acontece já no final do ano, no Coliseu de Lisboa.
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