NOS Alive: a estreia dos jovens Greta Van Fleet em Portugal foi uma festa saudosista
13.07.2019 às 2h32
Três irmãos e um amigo numa viagem assumida ao rock dos anos 70
Diretamente da pequena cidade de Frankenmuth, no Michigan, os Greta Van Fleet são uma banda estranhamente representativa do espaço que o rock ocupa, em 2019, na cultura musical mainstream.
Numa altura em que muitas das bandas e dos artistas rock mais bem sucedidos são os veteranos e veteraníssimos (aos U2, Roger Waters e até Queen têm pertencido os lugares cimeiros das digressões mais rentáveis), o 'segredo' parece estar precisamente nos chamados legacy acts. Os irmãos Kiszka -- Josh na voz, Jake na guitarra, Sam no baixo e o amigo Danny Wagner na bateria -- levam esta tendência mais longe. Apesar de o mais velho, Josh, ter apenas 23 anos, os Greta Van Fleet praticam um som tão devedor do hard rock dos anos 70 que se torna complicado não pensar em pastiche.
Na sua estreia em Portugal, a banda mostrou-se numa natural encruzilhada entre a frescura de quem acaba de lançar o primeiro álbum ("Anthem of the Peaceful Army" saiu no ano passado, depois de dois EPs) e a segurança de uma banda de agenda de concertos preenchida.
Nas primeiras filas, curiosamente, havia quem envergasse t-shirts dos Greta Van Fleet e quem preferisse as do "produto original"; com o timbre lancinante de Josh Kiszka e os seus maneirismos, não há volta a dar. Os Led Zeppelin são o fantasma que assombra -- ou, se preferirmos, que inspira -- o concerto (e o conceito) da jovem banda, ainda que a espaços se pressinta que os manos ouviram também AC/DC e outras luminárias do rock.
Confrontado com esta parecença inescapável, Jake Kiszka reconheceu já que em tempos passou um ano a estudar a arte de Jimmy Page, a ponto de sentir que sabia como é que o mítico guitarrista britânico pensava. Entre solos e jams, roupas vintage e penteados frondosos, não há dúvida que os Greta Van Fleet têm a lição do rock bem estudada. Mas, em cadeiras como a música popular, nem sempre decorar a matéria é suficiente para passar de ano. E aos rapazes de 'When the Curtain Falls' ainda falta um bocadinho para chegar a 2019.
Em todo o caso, o empenho do quarteto foi inegável e os gritos de "Greta, Greta!" (tal como os Linda Martini, a banda foi buscar o seu nome a uma pessoa da "vida real") não deixam dúvidas: para saudosistas do rock clássico, ou iniciados nesse mundo, este concerto em modo "viagem ao passado" terá enchido perfeitamente as medidas.
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