Estão vivos outra vez e voltaram para pregar aos convertidos. O concerto feliz dos Ornatos Violeta no NOS Alive
11.07.2019 às 23h19
Emoção à flor da pele no primeiro dos três concertos que a banda nortenha vai dar em celebração do vigésimo aniversário do derradeiro álbum, “O Monstro Precisa de Amigos"
Manel Cruz e companhia entraram no grande palco do NOS Alive com uma promessa: celebrar os 20 anos de um álbum que podia ter marcado uma geração mas acabou por marcar várias. As canções de “O Monstro Precisa de Amigos”, segundo e derradeiro álbum dos Ornatos Violeta, foram as grandes protagonistas do concerto desta noite e a emoção transbordou do palco para as dezenas de milhares de convertidos que o grupo tinha à sua frente.
Praticamente duas décadas depois de se separarem, a lenda do ‘Capitão Romance’ continua bem presente e foi transmitida de pais para filhos, avaliando pela transversalidade etária do público que hoje acorreu ao festival para os ver. “Olá pessoal! F*da-se” foram as primeiras palavras, de espanto, do líder da banda nortenha ao deparar-se com uma belíssima moldura humana. O que se seguiu ao início-homenagem aos Xutos & Pontapés, com uma versão de ‘Circo de Feras’ (canção que gravaram para “XX Anos XX Bandas”, editado, tal como “O Monstro Precisa de Amigos”, em 1999), foi uma conversa de amor com os fãs.
O “monstro” revelou-se com ‘Tanque’, tal como em disco, mas quem esperava ouvir o disco de lés a lés, na ordem pela qual foi imortalizado, rapidamente se desenganou. Guiado pela voz do “maestro”, que tem vindo a envelhecer tão bem quanto as canções, o concerto seguiu em ziguezague por temas como ‘Pára de Olhar para Mim’ (e saltam t-shirts), a balada ‘Para Nunca Mais Mentir’ ou o hino ‘Ouvi Dizer’, que acorda as cordas vocais da multidão, com todos os sentimentos espelhados nas caras e as letras bem presentes na memória.
Começa então a fase mais difícil para os não convertidos: a sequência que começa com a raridade ‘Há-de Encarnar’, segue com a melancolia de ‘Coisas’, a canção de embalar ‘Notícias do Fundo’ e “uma das músicas mais bonitas dos Ornatos, da autoria deste Peixe esquisito” ‘Deixa Morrer’ e termina com ‘Nuvem’ acalmou demasiado os ânimos, fora do cerco das feras da frente. Nada que não fosse depois compensado, no final, com ‘OMEM’, mais o seu baixo contundente, os acelerados ‘Chaga’ e ‘Dia Mau’ e, claro, ‘Capitão Romance’, quadratura ganhadora apenas interrompida pela enjeitada ‘Pára-me Agora’, que era para ter entrado no disco e não entrou.
“Eu sei que estas coisas não acontecem muitas vezes”, reconhece Manel Cruz, visivelmente feliz e satisfeito, “mas é esse o encanto”. Depois de se despedirem e de serem brindados com uma intensa ovação, regressam ainda ao palco para colocar um ponto final com ‘Fim da Canção’. O mito, tal como o monstro, continua a crescer e a unir gerações. Esta noite ficará certamente na memória da Raquel, a menina do cartaz, e de muitos: “quem diria que um dia voltava a ver Ornatos. Ass. Raquel”.
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