O último 'sunset' do RFM Somnii 2019. Rimas e batidas com o regresso retumbante de Tyga e um (Don) Diablo à solta
08.07.2019 às 13h22
O rap americano reclamou espaço no último dia do 'sunset' da Figueira da Foz
Se o rap foi parte incontornável do palco secundário, o mesmo não se pode dizer do principal: afinal de contas, estamos a falar de um festival com uma orientação bastante forte e vincada para a música electrónica. Porém, a exceção apareceu no último dia com Tyga, o rapper com o regresso mais retumbante de 2018. Durante a sua prestação (em que teve direito a companhia de DJ e duas bailarinas), o artista californiano desfilou (de uma maneira competentíssima, diga-se) canções que têm passado muito tempo no topo das tabelas americanas. Falamos das mais recentes "Taste", "Swish", "Go Loko", "Girls Have Fun", "Haute", "Dip", "Loco Contigo" ou a mais antiga "Rack City" - grande parte delas são "hinos dos clubes de strip", algo que pode parecer estranho à luz da moral portuguesa, mas que nos Estados Unidos da América é toda uma cultura à parte. Um bounce diferente para testar o PA do Somnii. Bastante falador, Micheal Ray Stevenson endereçou juras de amor eterno ao público português, que correspondeu com entusiasmo a um nome que vai sobrevivendo, sempre com o seu estilo particular, às mudanças vertiginosas do mundo da música.
James Hype, antes, e Don Diablo, depois, foram os dois DJs que "rodearam" o MC. O primeiro, DJ com 29 anos, veio do Reino Unido e, entre outros temas, recuperou (e adaptou) "In da Club", de 50 Cent, ou "Old Town Road", de Lil Nas X; o segundo, DJ que ficou em sétimo lugar no top 100 da DJ Mag, em 2018, chegou da Holanda e só teve de cumprir os mínimos que se exigiam a um cabeça de cartaz, espalhando o melhor do seu "future house" num set em que se viu os malabarismos pirotécnicos e a "ginástica" de DJ tão comummente associados à EDM.
Depois de três dias na Praia do Relógio, pode dizer-se que a natureza do festival reside no drop, o momento em que a tensão é solta e o clímax é atingido por milhares de pessoas em sintonia. Sem truques e manhas, o resultado é, independentemente do percurso, sempre o mesmo: a explosão. Contudo, a edição deste ano do RFM Somnii acrescentou ao cozinhado um ingrediente importante, criando um festival 'paralelo' ao dar proeminência ao hip-hop nacional num palco BLITZ/SIC Radical, por onde passaram alguns dos nomes do momento, e ao abrir o palco principal a outros sonos: ao acolher um nome como Tyga (este domingo) ou Ozuna (sábado), o RFM Somnii deixou claro que territórios como o rap e o reggaeton têm direito a pisar esta areia.
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