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RFM Somnii: ao segundo dia, hora de desarrumar a casa com três fenómenos de popularidade do rap nacional

Tendências que saíram da Internet para o palco BLITZ/SIC Radical, na tarde de sábado do festival da Praia do Relógio, na Figueira da Foz

Alexandre Ribeiro (texto), RFM Somnii (fotos)

Com um espaço dedicado inteiramente ao hip-hop nacional, o mais normal é encontrarmos os vários tipos de sonoridades que fazem parte do ADN do género musical criado no Bronx. No entanto, e por mais estranho que pareça, existem misturas que só resultam com a abordagem certa. Ao ouvirmos Waze (sempre comunicativo a tentar criar uma ligação com aqueles que decidiram marcar presença) no palco BLITZ/SIC Radical, não foi difícil perceber o porquê de estar neste festival: encaixou sem pudores o tipo de música electrónica que temos ouvido no palco principal no seu próprio registo.

Apesar de estar apenas acompanhado por um DJ e um hype man, as vozes de nomes como Deejay Telio e David Carreira ecoaram perante as dezenas de pessoas que vibraram com alguns dos hits do jovem rapper que ainda está longe de acertar na fórmula certa, apresentando, a nível de técnicas de rimas, semelhanças duvidosas com dois membros dos Wet Bed Gang, Gson e Zara G. Nada que não se perdoe a alguém que ainda agora está a dar os seus primeiros passos...

Com uma identidade definida e a viver o seu melhor momento de carreira, Phoenix RDC mostrou-se como é: agressivo, honesto e vencedor - o último adjetivo dá nome a uma das canções que foi mais celebrada durante a sua apresentação na Figueira da Foz. O "Real Gangster" juntou uma pequena multidão à sua frente, e de maneira justificada: actualmente existem poucos rappers com uma entrega tão poderosa como a sua, um misto de bruto com sensível, algo que acaba por se tornar cativante - e sente-se na troca de energia com o público. "Última Noite", "Coc&Weed" e "Chiripiti" foram outros dos temas em destaque no alinhamento da actuação do MC de Vialonga.

O encerramento do palco Blitz / SIC Radical no segundo dia do festival ficou por conta de Sippinpurpp (e do produtor Osémio Boémio). O membro da Think Music não veio sozinho: YUZI, que criou um pequeno caos com "Tsubasa", e Mike El Nite ("Dr. Bayard" estava na ponta da língua de todos os presentes) ajudaram à festa mais concorrida destes dois dias, prova de que o prazo do fenómeno ainda não acabou. Enquanto esteve em palco, o rapper apresentou o seu curto reportório, que inclui "No meu copo", "Avião", a recente "Não Me Venhas Chatear" e "Sauce", o tema que o catapultou para um patamar de notoriedade que acaba por proporcionar-lhe este tipo de reacções entusiásticas. E nem o desmazelo a utilizar a sua voz processada pelo auto-tune evitou que saísse como um dos grandes vencedores do dia.

No segundo dia, "mosh" foi das palavras mais utilizadas pelos artistas, provando que a ideia de que o trap é uma espécie de novo punk não é apenas uma fantasia. A energia e a propensão para a confusão estão lá, pelo menos...