RFM Somnii: nova escola, velha escola, um só caminho. O hip-hop português a realizar sonhos
06.07.2019 às 10h51
De Norte a Sul, do boom bap ao trap, não houve terreno que Spliff, Valas e Dealema não conquistassem no novíssimo palco BLITZ/SIC Radical ao primeiro dia do 'sunset' da Figueira da Foz
"Poucos, mas ótimos. É assim que eu gosto". O primeiro aglomerado de pessoas aconchegou no palco BLITZ/SIC Radical, estreia absoluta num RFM Somnii que quer ir além da música de dança, a chegada de Spliff, MC, produtor e DJ que, inicialmente, se destacou ao lado do rapper Dillaz. A solo, Rui Maia notabilizou-se com Risco, o seu álbum de estreia a solo que serviu de base para o alinhamento do concerto na Figueira da Foz. Acompanhado por DJ Perez e Vulto, o membro da 75, crew que não se cansou de exultar, tocou temas como "Bull's Eye", "Sei Bem", "Simplifica", "Risco" ou "Vertigens", rematando a questão com "Sacrifício", canção em que decidiu se sentar no palco e, qual fã acérrimo do seu próprio trabalho, cantou, sem microfone, cada palavra como se do seu último concerto se tratasse.
De seguida, um dos nomes com maior crescimento no hip-hop português nos últimos anos subiu ao palco: falamos de Valas, autor de Check-In e vencedor de Melhor Canção nos Prémios Play 2019. Na companhia de DJ Sims e António Pinto Sousa, guitarrista, João Valido mostrou algumas das razões que o levaram até ao lugar respeitável que ocupa hoje em dia. De "Bitches & Dogs" a "Dragões e Demónios", passando por "Alma Velha" - onde se ouviu o verso completo de Slow J -, "Imagina" e "As Coisas", houve tempo para acelerar à boleia de uma guitarra desenfreada e desacelerar para focar nas palavras de Valas, que parecem ganhar novos significados a cada audição.
A fechar a programação do primeiro dia do palco BLITZ/SIC Radical, nada melhor que os lendários Dealema, que mereceram a maior enchente do dia naquele lado do recinto. Com uma energia insuperável e uma química completamente inabalável, Mundo Segundo, Maze, Fuse, Expeão e DJ Guze desfilaram clássicos atrás de clássicos - não é por acaso que representam ao mais alto nível o hip-hop português desde 1996 - e mostraram uma grande humildade ao apresentarem-se várias vezes. Não é qualquer um que ao fim de mais de 20 anos de carreira ainda se introduz como se fosse a primeira vez. Faixas do grupo como "Escola dos 90", "Bofiafobia", "Sala 101" e "Família Malícia" ou momentos a solo como "Brilhantes Diamantes" e "Bairro" destacaram-se entre as demais, tendo direito a reacção entusiástica pelas centenas de jovens que ocupavam o areal àquela hora.
De salientar a mensagem positiva que todos os artistas tentaram passar nas suas prestações: falou-se de sonhos cumpridos, de paz e amor e da vontade de conquistar mais. O hip-hop, para o bem e para o mal, é isso mesmo: subverter as expectativas que se possam ter e superá-las com distinção.
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