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Sérgio Praia em "Variações"

Fado, excentricidade e sede de viver. Já vimos “Variações”, o filme biográfico de António Variações, e isto foi o que aprendemos

Com realização e argumento de João Maia, “Variações” conta a história do vulto pop português e tem estreia nas salas de cinema em agosto. A BLITZ já o viu e conta-lhe o que pode esperar

“Variações”, biografia cinematográfica de António Variações, realizado e com argumento de João Maia (“Programa da Maria”, curta-metragem “O Prego”), chega às salas de cinema no dia 22 de agosto, mas a BLITZ já assistiu ao filme. Depois de um percurso conturbado – passaram-se quinze anos desde que o realizador garantiu um subsídio para escrever o guião de “Variações” –, o filme estreia no ano em que se assinalam 35 anos da morte do músico, cantor e compositor autodidata, e 75 do seu nascimento.

Centrado no período entre 1977 e 1981, “Variações” coloca em destaque a vontade de vencer, à sua maneira, de Variações, lutando sempre para mostrar as suas canções e não se deixar manipular pela indústria. Sérgio Praia – que se tornou conhecido do grande público pelos seus trabalhos em televisão e o filme “Parque Mayer”, mas que já tinha também encarnado Variações na peça de teatro “Variações, de António” – dá vida a António Variações. Junto com Filipe Duarte (Fernando Ataíde) e Victoria Guerra (Rosa Maria), fundadores da discoteca Trumps, espaço lisboeta onde daria os seus primeiros concertos, Praia representa de forma eletrizante um músico com sede de viver, emprestando a sua própria voz às canções de Variações .

Num aviso exibido no final do filme, pode ler-se que, apesar de baseado em factos reais, este não deixa de ser um filme de ficção, pelo que alguns momentos poderão não ter acontecido exatamente como surgem retratados na película. Eis algumas das situações e momentos-chave de “Variações”.

A INFÂNCIA

A infância musical de Variações, na freguesia de Fiscal, em Amares, no Minho, ficou marcada pela Visita Pascal, durante a qual quatro barcos fazem uma viagem de barco no rio Homem, levando consigo não só o pároco e acompanhantes, como também uma banda de música e um fogueteiro, que lança foguetes no meio do rio.

AMÁLIA NA VOZ

É também durante a infância que se apaixona pela voz de Amália Rodrigues, que idolatra toda a sua vida, chegando a atuar na primeira parte de um concerto seu, na Aula Magna, em Lisboa, no ano de 1983. A primeira música que se ouve em “Variações” é ‘Povo Que Lavas no Rio’, tema popularizado por Amália que o músico gravaria e editaria, em 1982, em jeito de homenagem, como lado b do single ‘Estou Além’.

DE AMESTERDÃO A LISBOA

Em 1977, quando Variações se encontrava a viver em Amesterdão e a trabalhar como barbeiro, o jornalista e radialista Luís Vitta – que, no ano da morte de Variações, 1984, colaborou na fundação do jornal BLITZ – aproveitou o facto de ir à cidade holandesa para assistir a um concerto dos Sex Pistols para conhecer o músico, depois de ter recebido uma cassete por ele enviada com uma maquete de ‘Visões-Ficções (Nostradamus)’.

AUTODIDATA

Foi uma caixa de ritmos, oferecida por um elemento da primeira banda com quem ensaiou, que ajudou António Variações a conseguir gravar as suas maquetas, na casa de banho, como gostava de fazer, cantando dentro de ritmo.

CABELEIREIRO NÃO

Apesar de cortar cabelos, Variações não gostava que lhe chamassem cabeleireiro, preferia barbeiro. Depois de regressar a Portugal, vindo de Amesterdão, trabalhou no cabeleireiro de Isabel Queiroz do Vale, no centro comercial Imaviz, em Lisboa, mas acabou por abrir a sua barbearia de bairro, na baixa lisboeta. Além de cortar cabelo a várias figuras da rádio e televisão, no filme vemo-lo a pentear Pedro Ayres Magalhães, então n’Os Faíscas, antes de este entrar em palco num concerto na Sociedade Filarmónica Alunos de Apolo (Variações esteve, efetivamente, a cortar cabelo na noite onde os Xutos & Pontapés deram o primeiro concerto, nos Alunos de Apolo, em janeiro de 79).

ARRANQUE EM FALSO

Segundo o que vemos no filme, a editora Valentim de Carvalho, com a qual assinou contrato em 1978, queria transformá-lo num Frei Hermano da Câmara mais “folclórico”. Só quatro anos depois, o músico editaria o single ‘Estou Além’, composto por si, enfrentando assim a vontade da editora, que queria que cantasse temas compostos por outros.

A PRIMEIRA VEZ

É supostamente na discoteca Trumps que Variações canta pela primeira vez em público ‘Canção de Engate’, que seria editada no seu segundo álbum, ‘Dar & Receber’, um mês antes da sua morte.

A MÃE

Foi pouco antes de morrer que a mãe de Variações, Deolinda de Jesus, viu o filho em concerto pela primeira vez. No filme, vemo-lo a cantar ‘Deolinda de Jesus’, tema dedicado à mãe que seria incluído, também, em ‘Dar & Receber’.

Sérgio Praia volta a encarnar António Variações depois da peça de teatro "Variações, de António"
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Sérgio Praia volta a encarnar António Variações depois da peça de teatro "Variações, de António"

João Pina

O ator Sérgio Praia, protagonista de "Variações"
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O ator Sérgio Praia, protagonista de "Variações"

António Variações a gravar em estúdio com banda
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António Variações a gravar em estúdio com banda

Sérgio Praia e Fernando Pires (Frederico) recebem instruções do realizador e argumentista João Maia
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Sérgio Praia e Fernando Pires (Frederico) recebem instruções do realizador e argumentista João Maia

João Pina

Filipe Duarte é Fernando Ataíde, amigo de Variações
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Filipe Duarte é Fernando Ataíde, amigo de Variações

João Pina

Victoria Guerra é Rosa Maria, mulher de Fernando Ataíde e fundadora da discoteca Trumps
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Victoria Guerra é Rosa Maria, mulher de Fernando Ataíde e fundadora da discoteca Trumps

João Pina

António Variações com Rosa Maria e Fernando Ataíde
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António Variações com Rosa Maria e Fernando Ataíde

João Pina

Rosa Maria e Ataíde
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Rosa Maria e Ataíde

João Pina

Ao vivo no Trumps
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Ao vivo no Trumps

João Pina