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Michael Jackson

“A verdadeira medida de Michael Jackson era o que dava aos outros”. E os números. O comunicado oficial nos 10 anos da morte

O Michael humanista e o Michael artista de sucesso inultrapassável: duas dimensões refletidas num comunicado do “Estate of Michael Jackson” no dia em que passam 10 anos sobre a sua morte

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

No dia em que se assinalam dez anos sobre a sua morte, os representantes de Michael Jackson lançaram um comunicado, sublinhando que, em junho de 2009, o mundo perdeu “um artista dotado e um humanista extraordinário”.

Fazendo referência à partida do cantor, que morreu numa altura em que preparava o regresso aos palcos, o seu “estate” escreve que o mundo chorou a perda “não só de um génio artístico mas também o vazio deixado pela perda de um pai, filho e irmão. Uma década depois, Michael Jackson ainda está connosco, através da influência que tem na dança, na moda, na arte e na música atuais. É mais importante do que nunca. Mas a sua verdadeira medida era o que dava aos outros”, sublinham os gestores do seu legado.

Recentemente, a imagem de Michael Jackson foi maculada pela transmissão do documentário “Leaving Neverland”, no qual dois homens garantem terem sido vítimas de abuso sexual por parte do artista, quando eram crianças.

Leia aqui o comunicado completo.

Há dez anos, o mundo perdeu um artista dotado e um humanista extraordinário. A comunidade global juntou-se para fazer o luto, no evento ao vivo [cerimónias fúnebres] mais visto da história. Foram lidas mensages de pêsames de Nelson Mandela e também um poema escrito para a ocasião pela aclamada Maya Angelou. Berry Gordy Jr, fundador da Motown, elogiou o seu protegido, dizendo: 'Rei da Pop' é pouco para ele. Acredito que ele é simplesmente o maior entertainer de sempre'. Unido na dor, o mundo chorou não só a perda de um génio artístico como o vazio deixado pela perda de um pai, de um filho e de um irmão”.

Uma década depois, Michael Jackson ainda está connosco, através da sua influência na dança, na moda, na arte e na música atuais. Mas a sua verdadeira medida era aquilo que dava aos outros. Consolava os mais desfavorecidos nos hospitais, nos lares e nas casas de sem-abrigo. Dotou o Rancho de Neverland com equipamentos médicos para receber pacientes que procuravam refúgio dos seus quartos de hospital solitários, e milhares usufruíram do mesmo. Visitava as tropas que serviam o seu país por todo o mundo. O Guiness World Records reconheceu os seus esforços com o prémio de estrela pop que apoiava mais causas solidárias”.

Num mundo em que um homem se mede por números, Michael Jackson é um sucesso retumbante, pelos 16 singles e pelos oito álbuns que chegaram a número 1, nos Estados Unidos, ou pelo facto de haver mais pessoas no planeta com o seu álbum 'Thriller' do que com qualquer outro disco. E 'Thriller', o short film, é o único vídeo musical alguma vez registado no National Film Registry. Se o critério for o domínio da sua arte, as capacidades divinais de Michael Jackson continuam a ser a bitola pela qual os mestres se medem até hoje”.

“Mas a melhor forma de recordarmos o Michael é prestando homenagem ao seu legado de trabalho filantrópico e pedindo aos fãs de música em todo o mundo que façam a diferença nas suas comunidades -- seja plantando uma árvore, fazendo voluntariado num abrigo, limpando um espaço público ou ajudando alguém que esteja perdido. 'Acredito que todas as pessoas podem fazer a diferença na vida de alguém', disse o Michael. É assim que o homenagemos”.