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Os melhores álbuns de 2019 até agora. A escolha da BLITZ

O balanço musical dos primeiros seis meses do ano, das surpresas às certezas: 18 álbuns para ouvir urgentemente

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Weyes Blood – “Titanic Rising”

“Titanic Rising”, o quarto álbum da norte-americana Weyes Blood (Natalie Mering, nome de batismo) é simultaneamente tudo o que queríamos e nada do que estávamos à espera. Música espaçosa, grandiosa e, a espaços, sinfónica. Estado de graça, costuma dizer-se.

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William Tyler “Goes West

Um dos grandes guitarristas da sua geração, William Tyler – nascido em Nashville, no Tennessee, em 1979 – é também um compositor genial, capaz de contar as histórias mais comoventes, ou empolgantes, sem palavras. O seu quarto álbum mantém elevadíssima a fasquia.

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Deerhunter – “Why Hasn’t Everything Already Disappeared?”

Uma das bandas mais fascinantes do cenário ‘indie’ norte-americano decide olhar para fora ao oitavo álbum. Abre-se um mundo.

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Miramar – “Miramar”

Peixe e Frankie Chavez conheceram-se num concerto dos They’re Heading West e desse encontro nasceu o desejo de tocarem juntos. Primeiro ao vivo, depois em disco, Miramar é a junção mágica de dois músicos de sensibilidade e talento extraordinários, e 100% compatíveis.

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Stereossauro – “Bairro da Ponte”

Depois de uma apurada sessão de arqueologia musical, Stereossauro rodeia-se de um leque impressionante de cantores portugueses para criar um dos álbuns mais urgentes e inventivos da música portuguesa atual. Ana Moura, Carlos do Carmo, Gisela João, Camané, Plutónio, NBC e, claro, o seu comparsa de sempre, DJ Ride, ajudam a elevar este "Bairro da Ponte".

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Manel Cruz – “Vida Nova”

Demorou a chegar, mas a vida nova de Manel Cruz, o seu primeiro disco em nome próprio, é possivelmente o disco que o músico do Porto quis fazer: honesto, intimista e rico em canções para o seu cânone pessoal, que já vai longo, com ‘O Navio Dela’ e ‘Como Um Bom Filho do Vento’ à cabeça.

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Capitão Fausto – “A Invenção do Dia Claro”

É o disco menos denso dos Capitão Fausto, colocando definitivamente de parte o necessaire psicadélico, relegando para terceiro plano a pompa orquestrada do disco anterior. Não preenche todos os espaços, deixa as portas abertas para que uma aragem natural substitua o ambientador, amansa guitarras que noutros tempos quiseram queimar.

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Dawn – “New Breed”

Ao longo de dez eletrizantes canções, criadas aquando de um proveitoso regresso às origens, à sua Nova Orleães, Dawn desenha um retrato íntimo e pessoal com base na sua experiência enquanto mulher negra a mover-se num contexto fortemente movido a energia masculina. “New Breed” não é apenas um momento de afirmação pessoal, é uma urgente chamada à razão a todos aqueles que usam e abusam da sua autoridade para menorizar os outros.

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Big Thief – “U.F.O.F.”

Terceiro álbum da banda de Brooklyn, “U.F.O.F.” é, fazendo jus ao título, um autêntico ovni. Todo o disco flutua como o sonho da patroa dos Big Thief, Adrianne Lenker: o de construir uma ponte entre o terreno e o celeste. Ela é o coração de uma banda de corpo delicado mas ágil – e em verdadeiro estado de graça.

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Guided By Voices – “Zeppelin Over China” e “Warp and Woof”

Lendas do rock independente americano, os Guided By Voices continuam a lançar álbuns como se o amanhã tardasse muito. Os dois discos lançados este ano até agora (o primeiro dos quais é duplo) acrescentam mais algumas dezenas de canções a uma obra sem igual (e Portugal pôde tomar-lhe o pulso, pela primeira vez, no festival NOS Primavera Sound, no início de junho).

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Holly Herndon – “Proto”

A pouco e pouco, a norte-americana Holly Herndon vai-se tornando um caso sério das vanguardas eletrónicas. Com este "Proto" chega à sua obra maior, conjugando ambientes sobejamente humanos e melodias criadas com a ajuda de um programa de inteligência artificial inventado por si.

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Cinematic Orchestra – “To Believe”

Primeiro disco de estúdio da Cinematic Orchestra em 12 anos, “To Believe”, título inspirado na era das fake news, é um belíssimo conjunto de canções-arca com tudo lá dentro: melodia e ambiente, tensão e libertação… e um casting sempre certeiro de vozes, de Moses Sumney e Roots Manuva à londrina Tawiah.

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Liniker & Os Caramelows – “Goela Abaixo”

“Goela Abaixo”, o segundo longa-duração de Liniker e os Caramelows, atesta mais uma vez que não há intimidade como aquela que escorre de canções nostálgicas embaladas por uma voz gigante e sedutora, que parece vir das profundezas para servir de bálsamo a todas as nossas maleitas emocionais.

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Better Oblivion Community Center – “Better Oblivion Community Center”

Raras vezes os supergrupos têm resultados que vão além da curiosidade. Better Oblivion Community Center, nome de banda & álbum, é uma exceção; reunindo Conor Oberst (o senhor Bright Eyes) e a novata Phoebe Bridgers, é um dos discos mais felizes do ano, no que toca a indie rock luminoso e cheio de canções orelhudas.

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Billie Eilish – “When We All Fall Asleep, Where Do We Go?”

Na luta contra fórmulas pop mais do que esgotadas, são cada vez mais necessários artistas ‘selvagens’, pouco dados a cumprir regras, que chegam com gana de agitar as águas. Billie Eilish parece-nos estar no patamar perfeito para levar essa tarefa a bom termo, apresentando neste álbum de estreia um bouquet de canções de luxo.

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Steve Gunn – “The Unseen in Between”

Outro dos grandes guitarristas norte-americanos da sua geração, Steve Gunn chega a “The Unseen in Between” com o sentido de canção cada vez mais apurado. Inspirado pela morte recente do pai, e pela forma como, nos seus últimos dias, conseguiu uma nova proximidade com ele, é o seu disco mais melodioso e tocante.

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Branko – “Nosso”

Em “Atlas”, Branko apresentava-se pela primeira vez em nome próprio com um coletivo de canções que tinham por base um “conceito mais fechado” de abertura ao mundo (não, não há qualquer contradição aqui), “Nosso” traz esse mundo para um país que tem vindo a ganhar um novo brilho a cada dia que passa. Se preferimos ouvi-lo no conforto do quarto, numa viagem de comboio ou na pista de dança? Não interessa. Ouvi-lo-emos em todo o lado, com prazer.

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Lena d'Água – “Desalmadamente”

Regresso retumbante da inesquecível estrela pop portuguesa. A voz intocada, letras inspiradíssimas, música tão cuidada como fervilhante. Que grande festa!