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Madonna - "Madame X"

Ela luta, ela dança, ela canta em português. “Madame X”, o novo álbum de Madonna, está aí

O ambicioso novo disco de Madonna já está disponível. Contamos-lhe o que pode ouvir

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Aguardado com expectativa pelos fãs, “Madame X”, o 14º álbum de estúdio de Madonna, já está disponível. A BLITZ ouviu-o antecipadamente, na sua edição de luxo, que inclui dois temas extra: 'Extreme Occident' e 'Looking For Mercy'.

Depois de meses de especulação quanto aos artistas portugueses que Madonna, atualmente radicada em Lisboa, poderia ter convidado para o seu disco, os únicos nomes nacionais que surgem nos créditos de “Madame X” são os de Karla Regina Francelino Rodrigues, mais conhecida como Blaya, e dos cinco homens que com ela partilham a autoria de 'Faz Gostoso'.

A viver em Portugal há cerca de dois anos, Madonna ter-se-á cruzado com o grande êxito de Blaya, fazendo em “Madame X” uma versão bilingue (em português e inglês) de 'Faz Gostoso'. Ao invés de Blaya, porém, a segunda voz que ouvimos neste dueto pertence a Anitta, a super-estrela brasileira cuja presença justificará, de resto, que a canção desague num ritmo de samba.

Também muito badalada na imprensa portuguesa foi a colaboração de Madonna com um grupo de batukadeiras de Cabo Verde. Este encontro aparece registado no disco, em 'Batuka', tema que reúne a percussão daquele grupo de mulheres, bem como as suas vozes, em coro, a uma batida eletrónica.

Esta espécie de gospel eletrónico surge, nos créditos, como tendo sido escrito por David Banda, um dos filhos de Madonna, que integra os escalões juvenis do futebol do Benfica (razão que levou, de resto, a norte-americana a mudar-se para Portugal).

Ainda que não haja, pelo menos creditados, outros músicos portugueses em “Madame X”, Madonna escolhe a língua portuguesa para os versos de vários temas: em 'Killers Who Are Partying', em que assume as dores de várias minorias e etnias, diz: “O mundo é selvagem, o caminho é solitário, eu sei o que sou e o que não sou”.

Em 'Crazy', ouvimo-la, mais uma vez em português, proferir as frases: “Você pensa que eu sou louca” e “Eu te amo, mas não deixo você me destruir”. Já em 'Extreme Occident', um dos temas extra da versão de luxo, lamenta: “Aquilo que mais me magoa é que eu não estava perdida”.

Em entrevista ao New York Times, Madonna confessou que, na sua nova vida em Lisboa, frequentemente se sentiu sozinha, e existe alguma melancolia em “Madame X”. Mas os temas mais eufóricos, na boa tradição da pop eletrónica, continuam bem presentes.

Continuando a beber de várias culturas urbanas, Madonna passa pelo pop-reggae, em 'Future', colaboração com o rapper Quavo, dos Migos; pelo reggaeton e adjacente pop latina, nos duetos com Maluma, no single 'Medellín' e em 'Bitch I'm Loca', e pela pop eletrónica mais convencional de 'Crave', com o rapper Swae Lee, e 'Come Alive', com a participação de um coro infantil, o Tiffin Children's Chorus, cujas vozes também ouvimos na ambiciosa 'God Control'.

Entre as canções mais confessionais e a temática religiosa ou espiritual que nunca ignorou, Madonna continua a mostrar, também, uma postura sensual, sobretudo nas canções com Maluma. “Besa-me en la boquita”, canta em 'Bitch I'm Loca', na qual assume o papel de Miss Crazy, contracenando com o Mr. Safe (Maluma).

Já em 'I Don't Search I Find' e 'Looking For Mercy', os arranjos de cordas remetem para o ambiente das bandas-sonoras de James Bond.

“Madame X“, que tem na longa e fragmentada 'Dark Ballet' o seu momento mais bizarro, termina com uma citação de Sartre, enquanto mensagem de superação: “Freedom is what you choose to do with what's been done to you”, sentencia Madonna em 'I Rise', derradeiro tema um disco longo e ambicioso, que aponta em várias direções (a pop eletrónica mais direta, ainda que sem um hit muito óbvio, e aquilo a que podemos chamar uma pop global de fusão), misturando mensagens pessoais e políticas com a garra e, por vezes, a ingenuidade de uma estreante.

Produzido por Madonna e Mirwais, com ajuda de Diplo, que dá um ar da sua graça em 'Future', “Madame X” foi gravado em Londres, Nova Iorque, Los Angeles e, naturalmente, Lisboa. Madonna, agora uma cidadã nacional honorária, apresentá-lo-á ao vivo no Coliseu de Lisboa em 2020, numa série de concertos especiais e intimistas marcados para 16, 18, 19, 21, 22 e 23 de janeiro. Todas as datas estão já esgotadas.