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Erykah Badu

Erykah Badu e a história de um (grande) atraso que descambou numa lição de soul. Foi no NOS Primavera Sound

A deusa da soul norte-americana, que não se deixou fotografar, fez-se esperar mais de meia-hora, mas agradeceu a paciência do público

Passaram-se 10 minutos, 20 minutos, meia hora... E quando finalmente a norte-americana Erykah Badu entrou em palco, esta noite no NOS Primavera Sound, 35 minutos depois da hora marcada, já havia quem pensasse em cancelamento e quem assobiasse fortemente. A deusa da soul começou a sua atuação em modo animal, envergando uma coroa de penas na cabeça, e depois de uma introdução com 'Hello' agradeceu o facto de o público ter esperado por ela.

Entre sons densos, envoltos em ambientes jazzy, a artista texana celebrou os 22 anos do mítico álbum de estreia "Baduizm" com uma viagem funky até 'On & On' e uma 'Appletree' dedicada ao filho, que tem precisamente a mesma idade do seu primeiro filho musical, explicando que quando gravou o álbum estava a tentar comunicar "através de frequências" com o rebento que tinha no ventre. "Esperei que os bebés dos anos 90 crescessem para poder falar destas coisas", disse, depois de apelar à paz e ao amor e de confessar que foi banhar os pés e as mãos "na vossa água" durante o dia.

A voz incandescente e quase alienígena de Badu conseguiu abafar, entre muitas oscilações, o cariz demasiado cerebral de uma música que traz tantos sentimentos dentro que acaba por não eclodir de forma muito linear. Entre salpicos de sintetizadores e baixos bojudos, a artista foi contando uma história que parou nos mais variados capítulos da sua discografia, como o intenso 'Out My Mind, Just in Time', uma agitada 'I Want You' e o baixo jazzy de 'Umm Hmm'.

"Quantos de vocês estão a ter a vossa primeira experiência Badu ao vivo hoje?". As respostas positivas foram bastantes. Apesar da comunicação constante com a plateia, que ainda enchia o Parque da Cidade, a ligação entre palco e plateia parece ter sofrido algumas interferências pelo caminho. Talvez se não fosse o último dia e um dos últimos concertos, a história tivesse sido diferente.