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A contenção e libertação espiritual de Solange no NOS Primavera Sound

Irmã mais nova de Beyoncé estreou-se em solo nacional com um espetáculo bonito e intenso, que acabou brindado com um pequeno dilúvio. Este artigo não inclui fotografias porque a artista não autorizou a captação de imagens

Depois de um início de carreira titubeante, Solange Knowles, irmã mais nova de Beyoncé, parece finalmente ter encontrado um lugar só para si no concorrido universo musical onde se move. A artista texana a residir em Nova Orleães (aqueles "y'all" não enganam ninguém) pisou esta noite um palco português pela primeira vez e encheu as medidas do pequeno séquito de fãs que acorreu ao NOS Primavera Sound para a ver. O público desta primeira noite de festival foi brindado com uma estreia intensa, pouco menos de hora e meia de um alinhamento grandemente ancorado no mais recente álbum, "When I Get Home", mas que não esqueceu um ou outro momento mais antigo.

Com uma estrutura simples montada em palco - bem longe das exuberâncias da irmã -, a artista fez-se acompanhar por um corpo de bailarinos, uma secção de metais inspirada e uma banda que a acompanhou, respeitosamente, numa viagem pintada com as cores quentes de um r&b minimalista com sabor a futurismo. A voz esteve sempre no ponto certo (o mesmo não se pode dizer da reduzida indumentária que escolheu para levar ao palco e que várias vezes a deixou à beira de um "acidente de figurino") e os instrumentistas, coristas e bailarinos seguiram-na como se fosse uma maestrina, ou mesmo um líder espiritual.

Depois de um início suave e ligeirinho com 'Down with the Clique', e de sacar o chapéu de cowgirl e o casaco, segue ameaçando twerk (entrega a dança ao corpo de uma das suas bailarinas) em 'Stay Flo' e atira-se ao psicadelismo soul de 'Way to the Show'. Sem grandes artifícios, e coreografias simples, mostra-se sempre perto do seu público, acabando mesmo por descer para lhe cantar 'F.U.B.U.', com os seus versos de encorajamento, bem ao ouvido. 'Almeda', um dos temas mais celebrados de "When I Get Home", mantém a energia em alta, apesar do vento e frio que se fazem sentir no recinto. Depois de um momento privado em público, cabelo ao vento, olhos fechados e um sorriso a nascer-lhe nos lábios, Solange segue viagem com a acalmia de 'Dreams' e 'Cranes in the Sky', ponto forte do disco anterior, "A Seat at the Table".

"Quero tornar este local num santuário", diz, dando o mote para as despedidas: foi com uma já longínqua 'Losing You', ritmada e fora da caixa, que encerrou o corpo principal da atuação... não sem antes elogiar o público portuense, especialmente pela sua energia, e o facto ter visto poucos telemóveis no ar a filmar ou fotografar. Num curto encore de três temas, que se alongou um pouco mais como forma de agradecimento por grande parte do público ter resistido a uma chuva intensa mas de curta duração, que deixou o recinto novamente ensopado. O registo íntimo de 'Things I Imagined' e 'Don't Touch My Hair' ajudaram a encerrar em beleza este primeiro dia de NOS Primavera Sound, que só teria sido mais prazeroso com menos água e menos vento.