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Luciano Pavarotti em 1991

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Mais caro que Madonna no Coliseu de Lisboa, só mesmo Pavarotti

Madonna esgota Coliseus dos Recreios a preços exorbitantes. Mas já houve quem se apresentasse na mesma sala com bilhetes mais caros. Seu nome era Luciano Pavarotti

Nos últimos dias, correram notícias sobre os concertos esgotados de Madonna em Lisboa. Os bilhetes para os espetáculos anunciados para 16, 18, 19 e 21 de janeiro de 2020 venderam-se como pãezinhos quentes. Os das três primeiras noites esgotaram em 30 minutos, anunciou a produtora do evento, Everything Is New; o quarto, colocado à venda imediatamente após escoados os ingressos para os três primeiros, também não se demorou a esgotar. A venda para as datas extra anunciadas esta segunda-feira - 22 e 23 de janeiro - só se inicia sexta-feira mas não será difícil adivinhar a razia que aí vem.

Mais do que esgotar seis Coliseus dos Recreios - vale a pena lembrar que António Zambujo e Miguel Araújo bateram recentemente recordes de permanência com uma temporada de 15 datas - os espetáculos de Madonna espantaram pelo preço dos bilhetes: cada cadeira de orquestra orçava em 400 euros, uma 1ª plateia valia 300 euros, a 2ª plateia custava 200 euros, e por aí fora, até às galerias que já pareciam uma pechincha a 75 euros.

Cedo se gerou a ideia de que o preço dos ingressos para estes espectáculos no vetusto Coliseu dos Recreios poderia ser o mais caro alguma vez praticado naquela sala. Não é, contudo, verdade. Mesmo que Madonna tenha trocado outras capitais por Lisboa - até agora na Europa só há espetáculos anunciados nesta digressão em Lisboa, Londres e Paris - já aconteceram preços mais elevados na Rua das Portas de Santo Antão.

A 13 de janeiro de 1991, o tenor Luciano Pavarotti estreou-se em Portugal, numa soirée promovida pela promotora Tournée e com o patrocínio do então denominado Banco Totta & Açores. Não foi na Gulbenkian ou no Teatro de São Carlos que Pavarotti pisou o palco mas sim no Coliseu dos Recreios, dessa feita acompanhado pela Orquestra do Porto dirigida pelo maestro Leone Magiera. Na tribuna de honra encontrava-se o Presidente da República, Mário Soares, como contava Paula Lobo em artigo publicado no "Diário de Notícias"

Ora, procedendo à devida atualização dos preços, segundo o Índice de Preços no Consumidor para o Continente do INE, uma plateia para o concerto do tenor mais famoso do mundo custaria hoje 486 euros (dez contos de réis, em valor facial). Uma geral valeria 108,05 euros (dez contos) e uma entrada para as galerias levaria a que o espectador desembolsasse 81,04 euros (sete contos e meio). Na imprensa da época, Ricardo Casimiro, produtor do espectáculo, haveria de dizer que "o cachet era consentâneo com o tamanho do Coliseu", referindo-se provavelmente à curta dimensão da sala lisboeta. Mas o jornalista acrescentava que os bilhetes custavam três vezes mais do que os vendidos em Nova Iorque naquela mesma digressão de Luciano Pavarotti.

Não recorda a imprensa consultada se o tenor deu o famoso dó de peito, mas sabe-se que regressaria a Portugal a 21 de junho de 2000 para nova apresentação no Estádio de São Luís, em Faro. Dessa vez, os bilhetes - num total de nove mil, sensivelmente o dobro da lotação do Coliseu - custavam entre 35 contos e 45 contos. Um balúrdio.

Neste momento, no mercado secundário, já há bilhetes para o concerto de Madonna à venda por €1526 (cadeiras de orquestra).