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Nick Murphy

Nick Murphy, o artista anteriormente conhecido como Chet Faker, não pode começar do zero. Mas vai tentar, conta-nos em entrevista

De regresso a Portugal em outubro, o músico australiano andou a viajar por todo o mundo e regressou dessa viagem, literal mas também espiritual, com um novo disco e um novo nome - o seu nome de sempre, afinal. À BLITZ, garante que fez tudo “pela música”

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

São seis e meia da tarde em Sydney quando Nick Murphy, o músico australiano que nos habituámos a conhecer como Chet Faker, atende o telefone. Com o novo disco, “Run Fast Sleep Naked”, acabado de chegar às lojas, o homem que em outubro volta a Portugal para dois concertos mostrou-se entusiasmado com o regresso (“É um dos meus sítios favoritos, as pessoas são tão calorosas!”) e contou-nos alguns pormenores sobre a “volta ao mundo” que inspirou o novo disco e a mudança de nome. Agora, Chet Faker é novamente Nick Murphy, nome com o qual os pais o batizaram há 30 anos, e reflete sobre as consequências “avassaladoras” do sucesso e dúvidas espirituais.

Este disco foi gravado durante as suas longas viagens de 2018, em vários pontos do planeta, desde Tóquio a Nova Iorque. O sítio em que cada canção nasceu acabou por se refletir no seu ambiente?
De certa forma, tem de se refletir. Mas não de forma assim tão direta. Penso que os sítios me ajudaram a espelhar o sentimento das canções. Eu usei as viagens como catalisador para entrar em mim mesmo, para me colocar certas perguntas: foi quase como meditar, sabes? Usei as viagens como meditação. No disco, cada canção tem uma determinada intenção, por isso, respondendo à tua pergunta, sim. E os sítios ajudaram-me a perceber essa intenção.

Essas viagens todas aconteceram no âmbito de digressões ou a título pessoal?

A título pessoal. Em 2018, tirei quase o ano todo para mim. Andei a viajar sozinho. Viajar em digressão não é lá muito divertido. (risos) Toda a gente acha que sim, mas não é. Estás sempre cansado, quando tens uns dias de folga só queres dormir… Quando tenho tempo, viajo sozinho. Isso aconteceu no ano passado, quando senti uma certa motivação espiritual. Comecei a ter algumas dúvidas: qual o meu propósito, em que é que acredito? E a música serviu como ferramenta, para me ajudar a lidar com estas questões. Tal como as viagens, em conjunto com a música. Fui a sítios que me atraíam e que acreditava que me ajudariam a pensar, ou a pensar melhor, ou então a sítios que achava que poderiam criar alguma tensão em mim. Porque queria aprender mais.

Viajou sempre sozinho?
Sim, exatamente.

Quais os sítios que mais o ajudaram, ou que tiveram um impacto mais forte em si?
Houve alguns. Passei algum tempo no Japão, [na comunidade budista de] Koyasan, e gostei muito. E também estive no sudoeste dos Estados Unidos, e na fronteira entre a Argélia e Marrocos. Passei três dias no deserto, onde fiz a fotografia da capa do disco.

Alguma vez sente que a sua ascensão foi demasiado rápida? Afinal, pouco tempo se passou desde que começámos a ouvir falar em si e o momento em que se tornou um nome forte, tocando em grandes festivais... Isso não é avassalador?
Claro que sim! Penso que é avassalador para qualquer pessoa. Não creio que este tipo de sucesso seja saudável. Não só para mim, mas para qualquer pessoa. Mas é algo que me permite fazer outras coisas de que gosto, como fazer mais música e viajar. É um mal necessário. Aconteceu muito rapidamente e não dá para controlar, é mesmo assim. No início, sem dúvida que foi muito avassalador. Neste disco, penso que finalmente consegui conciliar-me com tudo o que se passou e atingir alguma clareza, depois de me fazer algumas perguntas.

Leu a notícia sobre o estudo que diz que há uma grande percentagem de músicos independentes com probemas de saúde mental?
Não li, mas faz sentido. Não me surpreende, de todo. Mas seria interessante comparar os resultados desse estudo com os artistas de grandes editoras, para ver se entre eles haveria mais saúde mental.

Nick Murphy no Vodafone Paredes de Coura'17
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A Rolling Stone definiu este seu disco como uma mistura entre “old school soul” e “new school soul”. Identifica-se com essa ideia?
Interessante! Teria de ler a crítica, assim não sei dizer. Teria de perceber o que querem dizer com “old school soul” e “new school soul”. Dito assim, parece-me que não ouviram o disco. (risos)

Em relação à “new school soul”, penso que se referiam a artistas como Frank Ocean...

Ah, eu adoro o Frank, a música dele é fantástica. Isso seria um elogio.

Quando decidiu voltar a chamar-se Nick Murphy, deixando para trás o alter ego Chet Faker, quis livrar-se de alguma coisa? Começar de novo, deixar uma certa pele para trás?

Começar de novo não sei, porque não podes fazer isso ao teu passado. Mas não acho que tenha sido uma coisa negativa, nem que tenha querido deixar alguma coisa para trás. Quis foi ganhar coisas novas. Expandir-me, abrir o leque de possibilidades. Mas, para conseguires fazer isso, tens de correr alguns riscos. Na verdade, a grande motivação para eu tomar essa decisão foi a música. Quando consegui parar de pensar para onde é que a música ia, ou como é que iria ser editada, a música começou a surgir-me, simplesmente. Foi como se uns muros invisíveis tivessem sido derrubados. Decidi seguir o meu instinto [e mudar de nome], pela música, para que ela tivesse a oportunidade de que precisava. Essa foi a grande motivação da mudança de nome. Sei que para as outras pessoas parece complicado. (risos) Mas eu sei que a mim me ajudou a ser um músico melhor, que é tudo o que eu quero fazer.

Nick Murphy toca no Coliseu de Lisboa a 1 de outubro e no Coliseu do Porto a 2 do mesmo mês.