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Carminho como nunca a (ou)viu, a caminho dos Coliseus. “Os fadistas são agentes do futuro”

A fadista apresentou ontem em Lisboa uma performance com base no mais recente álbum, “Maria”, na qual falou das suas referências e mostrou a sua forma de reinterpretar o fado

“‘Maria’ – O Nome da Memória” deu o mote à performance/instalação que Carminho levou ontem ao espaço da Galeria Cristina Guerra, em Lisboa, como forma de antecipar os concertos que tem marcados no Coliseu do Porto a 24 de maio e no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 25 de maio. Partindo das suas referências, da música que fez parte da sua formação – deu a escutar, deitada numa chaise-longue, temas como ‘Most of the Time’ de Bob Dylan, ‘A Vida Que Eu Sofro em Ti’ de Beatriz da Conceição, ‘What’s He Building?’ de Tom Waits ou ‘Blackbird’ dos Beatles –, falou sobre experiências que viveu em criança, dos xailes que lhe eram emprestados, como sinal de reconhecimento, por fadistas mais experientes e que rejeitava por não saber que a rejeição era “uma ofensa tremenda” (“pode ser que hoje elas me consigam perdoar”) e reiterou que “o fado é o instrumento dos meus pensamentos”.

Carminho em “‘Maria’ – O Nome da Memória”
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Carminho em “‘Maria’ – O Nome da Memória”

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Carminho em “‘Maria’ – O Nome da Memória”
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Carminho em “‘Maria’ – O Nome da Memória”

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Depois de interpretar, sem qualquer acompanhamento instrumental, ‘A Tecedeira’, que abre o mais recente álbum, “Maria”, e temas como ‘A Mulher Vento’, ‘O Menino e a Cidade’ e ‘António Batista’, a fadista falou com a BLITZ sobre a performance e aquilo que esteve na sua origem: “a ideia surge não só por ter muita vontade de traduzir este disco às pessoas sem ter de descrever de forma muito enfatizada o que é, deixar as pessoas sonhar, como para fazer uma antevisão dos Coliseus. Mas para que cada uma das pessoas que aqui estivesse – público, fãs e imprensa – pudesse sentir à sua maneira e comunicar como quisessem esta experiência sensorial”.

“Não é um conceito que se possa descrever, é um conceito que se sente”, acrescenta antes de justificar a escolha do local, uma galeria de arte, “arrisquei a fazer isto aqui exatamente porque sinto que o fado é de hoje, o fado é contemporâneo. É um instrumento para o pensamento de hoje e não uma tradição que revive, que faz reviver. Nós não somos agentes da tradição, somos agentes do futuro”. Sobre aquilo que a performance partilhará com os espetáculos dos Coliseus, defende que estes terão “alguma coisa daquilo que apresentei aqui. Um ambiente mais controlado. A sensação que tiveram aqui, de uma coisa mais controlada, e, sobretudo, quero deixar as pessoas viverem as suas experiências e não a da Carminho. Será uma coisa mais fechada, talvez tenha menos luz”.

Em exibição na galeria, estava o resultado de três sessões com os fotógrafos Inês Gonçalves, José Pedro Cortes e Julião Sarmento, “tenho também este material tão rico destes fotógrafos tão preciosos que acabei por sentir que era uma maneira bonita de apresentar o trabalho que fizemos em conjunto, mas apresentar aquilo que nos levou a fazer estas fotografias e não só o trabalho fotográfico”. Quanto à história das imagens, Carminho explica: “estas fotografias têm um sentido. Cada uma delas tem uma mulher diferente e essas mulheres têm dimensões diferentes: uma é mitológica, outra é real, cresce no bairro, e a outra é interna, é o pensamento que a mulher tem hoje e precisa de ser comunicado”.

Carminho por Inês Gonçalves
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Carminho por Inês Gonçalves

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Carminho por Julião Sarmento
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Carminho por Julião Sarmento

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Carminho por José Pedro Cortes
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Carminho por José Pedro Cortes

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Sobre aquilo que Beatriz da Conceição, uma das suas maiores referências no fado, continua a representar para si, e tendo momentos antes defendido que “o fado criou primeiro a mulher e só depois o homem”, a fadista confessa à BLITZ: “significa os pés no chão de uma raiz que não pode ser despegada. É como se fosse uma bandeira… Uma bandeira tem o seu poste bem firme na terra e depois voa, voa, e espraia para vários lados, para onde o vento a leva, mas sempre firme num lugar que a viu crescer, que a viu nascer e que lhe deu identidade. Sinto que muitas coisas que ela me conta ainda hoje ecoam na minha cabeça”.