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Eddie Vedder na estreia a solo em Portugal, no festival Sudoeste, em julho de 2012

Rita Carmo

Um homem e a multidão. Como foram os dois primeiros concertos a solo de Eddie Vedder em Portugal

De regresso a Portugal para um concerto na Altice Arena, em junho, Eddie Vedder esteve entre nós, a solo, em 2012 (no Sudoeste) e em 2014 (no Super Bock Super Rock, no Meco). É tempo de recordar esses intensos espetáculos

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Na semana em que foi confirmado o regresso de Eddie Vedder a Portugal, para um concerto a solo na Altice Arena, em Lisboa, a BLITZ recorda as anteriores passagens do músico norte-americano pelo nosso país.

A estreia do homem dos Pearl Jam em nome próprio, em palcos portugueses, aconteceu em agosto de 2012, no festival Sudoeste.

Na altura, escrevia Mário Rui Vieira: “Apoiado no ukulele, que se tornou personagem principal do álbum a solo editado no ano passado, na guitarra acústica ou na guitarra elétrica, o músico foi alternando canções intimistas da sua carreira a solo - quer de Ukulele Songs quer da banda-sonora que assinou para o filme Into the Wild - com alguns êxitos dos Pearl Jam, reconhecidos prontamente e celebrados de forma sempre efervescente”.

"Can't Keep", primeiro tema de
Ukulele Songs - gravado originalmente para o álbum Riot Act, dos Pearl Jam -, teve honras de abertura da atuação e as palmas rebentaram, pareceu-nos a nós, mais porque as pessoas tinham Eddie Vedder em frente que pelo amor que dedicam à segunda aventura discográfica a solo do músico”, escrevia ainda a BLITZ sobre um concerto integrado na digressão de promoção desse mesmo álbum. No ano seguinte, os Pearl Jam lançariam “Lightning Bolt”, até agora o último disco da banda de Seattle.

Eddie Vedder no Sudoeste, em agosto de 2012

Eddie Vedder no Sudoeste, em agosto de 2012

Rita Carmo

Recorrendo a uma cábula para tentar falar português, Eddie Vedder manteve do seu lado a plateia do Sudoeste, durante duas horas que contemplaram ainda uma subida ao palco do amigo Glenn Hansard (em cujo concerto Vedder também participou) e várias mensagens e apelos.

"Lutem pelos vossos direitos. Paz", foram as últimas palavras que ouvimos da boca do vocalista dos Pearl Jam, que hoje deu uma verdadeira lição sobre como ser um 'one man show' competente, conquistando sem grandes reservas as 32 mil pessoas que, segundo a organização, compõem a moldura neste segundo dia de festival. Aquilo que faltou realmente hoje ao espetáculo que Vedder apresentou foi uma grande fogueira que aquecesse os corpos da mesma forma como o artista aqueceu os ânimos”, rematava a reportagem da BLITZ.

Passados dois anos, numa longa e chuvosa noite no Meco, Eddie Vedder apresentou-se novamente a solo, no Super Bock Super Rock.

Desta feita, o músico chamou ao palco a amiga Cat Power, que tocara na mesma noite, no palco secundário, e o português Legendary Tigerman, que o antecedera no principal.

Ao contrário de boa parte do público, que em virtude de atrasos vários tem de esperar até às duas da manhã para ver Eddie Vedder em palco (o concerto estava marcado para uma hora antes), o músico não está cansado - antes pelo contrário, apresenta-se aparentemente fresco num espaço decorado como um pequeno e modesto altar. Guitarra acústica e ukulele - o primo tropical do cavaquinho - serão os principais instrumentos de sedução do veterano ao longo das duas horas seguintes, a par daquela voz que, desde sempre rouca, tem envelhecido com graciosidade. Em Portugal, Eddie Vedder é recebido como um campeão, e se nos abstrairmos de quem ocupa o palco principal do SBSR esta noite, não deixa de ser surpreendente a atenção com que as canções, tão despidas e desamparadas, são escutadas. Por outras palavras: mais do que as virtudes musicais e canoras de Vedder, o que fala mais alto, nesta peregrinação ao Meco, é o estatuto do quase cinquentão enquanto símbolo e homem-forte de uma das bandas rock mais populares em Portugal”, escrevia Lia Pereira em 2014.

Eddie Vedder no Super Bock Super Rock, em julho de 2014

Eddie Vedder no Super Bock Super Rock, em julho de 2014

Rita Carmo

A empatia é inegável e o esforço de Vedder em corresponder ao carinho que recebe dos portugueses não é menos que notável”, reportávamos ainda, dando conta da alegria que Eddie Vedder proporcionava aos fãs com a passagem pelo repertório dos Pearl Jam e também das versões de Neil Young, Bob Dylan ou Beatles.

Invariavelmente honesto e devoto às suas paixões de sempre, Eddie Vedder entabulou conversa com os admiradores, lembrando a importância do seu tio John, recentemente falecido, na sua formação musical e desportiva, na adolescência, e muniu-se do habitual kit 'comunicar com portugueses' (cábula, cavaquinho e garrafa de vinho) para ler uma mensagem que rematou com a sentença 'eu confio em Portugal'. Depois destas duas horas e meia de música, será impossível negar que o sentimento é recíproco, o que lhe dá carta branca para fazer o que bem lhe apetece: desde desejar os parabéns à fã Patrícia até descer à plateia em 'Last Kiss', passando por lembrar o abate do avião malaio para valorizar o facto de, esta noite e neste canto do mundo, sermos livres e estarmos seguros”, assinalava ainda a reportagem da BLITZ.

“Mais do que um concerto, longo e competente, o espetáculo de Eddie Vedder no Meco foi, como habitualmente, um caso de amor e confiança, virtudes tão espelhadas no coro comunal ao som de 'Better Man' e 'Black', dos Pearl Jam, como na celebração com mensagem de 'Imagine', de John Lennon, ou 'Rockin' in the Free World', o clássico de Neil Young com que os Pearl Jam frequentemente encerram os seus concertos. Os relógios já marcavam quase quatro horas e meia da manhã quando esse ponto final parágrafo se fez ouvir mas, para a falange de fãs de Eddie Vedder, o tempo passado com o tio favorito nunca será demais”.

Este concerto no Meco aconteceu na pausa entre a digressão europeia e a digressão norte-americana de “Lightning Bolt”, álbum que os Pearl Jam lançaram em 2013.

No próximo dia 20 de junho, Eddie Vedder volta a Portugal, para um concerto na Altice Arena, em Lisboa. Consigo trará Glen Hansard, que fará a primeira parte. Os bilhetes são colocados à venda a 22 de março e custam a partir de 45 euros.