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Billie Eilish

Quem é Billie Eilish, a cantora de 17 anos que esgotou o Coliseu de Lisboa em menos de uma hora

Os bilhetes para o concerto de estreia em Portugal da adolescente norte-americana, com mais de 13 milhões de seguidores, voaram num piscar de olhos

“O primeiro CD que comprei? Nunca comprei um CD na minha vida!”. Se esta resposta, dada com o ar mais “por-que-raio-estão-a-fazer-me-perguntas-estúpidas” durante uma entrevista à publicação britânica NME, não for suficientemente clara para o elucidar quanto à idade da cantora norte-americana Billie Eilish, considerada uma das maiores apostas musicais para 2019, nós damos-lhe os factos. Billie Eilish Pirate Baird O’Connell nasceu a 18 de dezembro de 2001, tendo portanto, uns frescos 17 anos. Mas não nos deixemos enganar pela sua tenra idade: a maturidade da música que apresenta, a originalidade das canções que escreve e a irreverência (ponderada) das opiniões que tem sempre na ponta da língua deixam-na à altura de todo o hype que tem vindo a ser construído desde que se estreou, em 2016, com o single ‘Ocean Eyes’.

A música corre-lhe nas veias. Criada em Los Angeles, no seio de uma família de atores e músicos, Eilish começou a cantar num coro com apenas 8 anos, tendo escrito a sua primeira canção, completa, com apenas 12 anos: “chamava-se ‘Fingers Crossed’ e era sobre zombies”, revela a artista na entrevista ao NME, acrescentando de seguida que o tema foi inspirado pela série “Walking Dead”. A influência dos irmãos mais velhos é sempre algo a ter em conta e Eilish não foge à regra… Finneas O’Connell, que se tornou conhecido do grande público depois de participar na última temporada da série musical “Glee”, é o vocalista e compositor da banda The Slightlys e tem vindo a ajudar a irmã na composição e produção das suas músicas. Aliás, ‘Ocean Eyes’ foi inicialmente escrita por Finneas para a sua banda, mas acabou por ser a irmã a interpretá-la.

“Don’t Smile at Me”, o EP com que Eilish se estreou pela porta grande, com o carimbo da editora Interscope, em agosto de 2017, incluía não só ‘Ocean Eyes’, ‘Bellyache’ e ‘idontwannabeyou’ (cujos vídeos, juntos, ultrapassam os 300 milhões de visualizações no YouTube), como também um dueto com o rapper Vince Staples (‘&burn’). Desde então, a trajetória foi sempre a subir, com as suas canções a captarem cada vez mais atenções: ‘Lovely’, dueto “avulso” com o amigo Khalid incluído na banda sonora da série “Por 13 Razões” (antes, já tinha também oferecido à polémica série da Netflix a canção ‘Bored’), é a mais bem sucedida de todas até ao momento (400 milhões de plays no Spotify), mas os singles que tem vindo a lançar como forma de aguçar o apetite para o álbum de estreia não lhe ficam muito atrás, em termos de sucesso.

‘You Should See Me in a Crown’, ‘When the Party’s Over’ e o mais recente ‘Bury a Friend’ revelam um imaginário algo negro, ao qual não serão alheias as suas grandes influências, e uma forma inovadora de apresentar, de forma musicada, as dores do crescimento. Tendo crescido a ouvir coisas tão diversas quanto Beatles, Arctic Monkeys, Green Day e Avril Lavigne (faz sentido), Eilish apresenta hoje como maiores referências Lana Del Rey, Tyler, The Creator, Miguel e Earl Sweatshirt, confessando-se grande fã de hip-hop e R&B. Pelo meio, provando que não é rapariga de perder tempo, lançou ainda o tema ‘Come Out and Play’ e ‘When I Was Older’, a ser incluído na coletânea “Music Inspired by the Film Roma” (que conta também com canções de Patti Smith, Ibeyi, Beck e DJ Shadow).

Quando “When We All Fall Asleep, Where do We Go?”, o seu debute nos registos de longa-duração, chegar às lojas e plataformas de streaming no dia 29 de março, certamente estes números já terão aumentado, mas no momento em que escrevemos este texto, o volume de subscrições no seu canal de Youtube e de seguidores no Instagram é impressionante: 7 milhões e 13 milhões, respetivamente. Para tal, contribui, certamente, a figura “misfit” que assume sem pruridos. “Sou o tipo de pessoa que faz o oposto daquilo que lhe dizem para fazer”, confessa ao NME, “se eu fosse um gajo e usasse estas mesmas roupas largas, ninguém dizia nada. Há pessoas por aí a dizer ‘veste-te como uma rapariga nem que seja uma vez! Se usasses roupa justa ficavas muito mais bonita e a tua carreira seria muito mais bem sucedida!’. Não seria não”.

A capa de "When We All Fall Asleep, Where Do We Go?"

A capa de "When We All Fall Asleep, Where Do We Go?"

Se tem medo da fama? Não. “Há um artigo sobre mim online e se olharem para os comentários há pessoas a dizer: ‘a indústria está a arruiná-la! Está a matá-la! Não tem luz nenhuma nos olhos! O sorriso dela já não é tãp grande!’ Vá lá…”, defende, apesar de assumir que a indústria musical é “horrível”… “Mas se eu não estivesse a fazer isto, provavelmente seria miserável porque isto foi o que sempre quis. Não interessa o quão horrível é a fama e quão horrível é isto ou aquilo: há muita coisa que faz com que isto valha a pena”. Quanto aos haters que vão surgindo, é bastante direta: “é muito engraçado, porque quem é que está a fazer dinheiro? Quem está a dar concertos em todo o mundo? Quem está a receber ténis de graça? Eu. Não quero dar uma de convencida, mas vão-se f*der”.