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Pabllo Vittar

“Pabllo Vittar é a minha armadura”. Da igreja para o cabaré, a entrevista com a drag queen brasileira que está a tomar o mundo de assalto

Vai-se multiplicando em colaborações com artistas como Major Lazer, Preta Gil ou Charli XCX e já tem mais seguidores do que a histórica drag queen norte-americana RuPaul. Em entrevista à BLITZ, antes do concerto em Lisboa, Pabllo Vittar fala sobre um percurso meteórico que começou na igreja e já chegou aos palcos mundiais

Quando, no verão de 2017, transpôs fronteiras com o sucesso ‘Sua Cara’ de Major Lazer, ao lado de Anitta, Pabllo Vittar já não era uma desconhecida no Brasil. A artista, hoje com 24 anos, começou a conquistar fãs e seguidores no seu país natal desde que, dois anos antes, resolveu pegar no êxito ‘Lean On’ (também de Major Lazer) e fazer dele uma versão em português. Depois de ‘Open Bar’ se tornar viral, continuou a correr atrás do sucesso com temas como ‘Nêga’, ‘K.O.’ ou ‘Corpo Sensual’, todas incluídas em “Vai Passar Mal”, registo de estreia que editou no início de 2017. Juntando influências atuais várias, da pop mais açucarada ao trap, num caldeirão que presta homenagem ao forró, axé, tecnobrega e outros fenómenos musicais brasileiros, Vittar regressou em outubro do ano passado com “Não Para Não”, um segundo disco que conta com colaborações com compatriotas e amigos como Ludmilla, Dilsinho ou Urias e o convidado especial Diplo na produção de ‘Seu Crime’, single que sucederá aos sucessos ‘Problema Seu’ e ‘Disk Me’.

Esta podia ser a história de uma estrela pop como outra qualquer, mas não é. Pabllo Vittar nasceu Phabulo Rodrigues da Silva, em 1994, e começou por cantar na igreja, em pequeno. Só anos mais tarde, inspirada pelo sucesso do reality show “RuPaul’s Drag Race”, decidiria começar a cantar vestido com roupas femininas. Em 2019, é a drag queen com maior número de seguidores nas redes sociais, tendo ultrapassado inclusivamente a histórica norte-americana RuPaul, cicerone do programa que a inspirou a dar vida a Vittar. Os números são impressionantes: quase 8 milhões no Instagram, perto de 2 milhões no Facebook e vários vídeos com mais de 200 milhões de visualizações no YouTube. Conquistou tudo isto sem se coibir de falar das questões que lhe são caras, agitando bem alta a bandeira dos direitos LGBTQ+. Estreia-se em Portugal com um concerto no Campo Pequeno, em Lisboa, no dia 24 de abril, e em conversa com a BLITZ falou sobre aquilo que os fãs portugueses poderão esperar do “show” mas também da sua participação na série de animação “Super Drags”, do desejo de ser jurada em “Drag Race” e do vídeo que gravou com a dupla nova-iorquina Sofi Tukker em Lisboa, no verão passado.

Ainda consegue perceber onde começa a Pabllo Vittar e termina o Phabullo Rodrigues da Silva ou é cada vez mais difícil separar os dois?
Ah, eu acho que é a mesma coisa. A Pabllo Vittar é como se fosse a minha extensão, sabe? Como se fosse… Como posso dizer isto… É a minha armadura, mesmo, que coloco para fazer os meus shows. O Phabullo é um menino, mas os dois têm muito um do outro, é impossível um viver sem o outro.

Lembra-se do momento da sua vida em que acordou para a arte do drag e percebeu que seria algo importante para si?
Comecei a fazer drag porque era apaixonada pelo “RuPaul’s Drag Race”. Quando fiz 18 anos, montei-me pela primeira vez e nessa altura, como já cantava, comecei a cantar montada porque… sei lá… Conseguia libertar-me mais, acho que é isso.

Neste momento, a Pabllo acumula mais fãs nas redes sociais do que a própria RuPaul. Já chegou a conhecê-la?
Nunca conheci a RuPaul, mas quero muito. É o meu sonho. Nem é tanto aquela coisa de fazer música com ela, gostaria mesmo de conhecê-la, de ir ao programa dela, ser jurada. Sou muito fã, do tipo da gayzinha que assiste RuPaul em casa, que é louco pelo programa. Amo muito.

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E como surgiu a música na sua vida?
Comecei a cantar na igreja, em pequenininho, mas a música está na minha vida desde sempre. A minha mãe punha discos a tocar para a gente ouvir, especialmente música brasileira, por isso é que acho que há essa carga tão grande de música brasileira nas minhas canções. Mas estou sempre a ouvir outros artistas. Acho que temos de fazer isso, de nos ouvirmos uns aos outros, ver o que andamos a fazer, o que se faz de novo. É bom mantermos sempre a cabeça aberta para poder criar e contribuir… Não faço isso só com música pop, mas com todos os géneros.

Quando pensa em “Vai Passar Mal” e este novo “Não Para Não”, que grandes diferenças encontra entre os dois álbuns?
São dois momentos incríveis da minha carreira. “Vai Passar Mal” marcou uma era maravilhosa, fulgurosa, brilhante, a bíblia do pop. Amo-o muito porque tem muito de mim, foi o álbum para o qual mais compus. No “Não Para Não” só compus uma música, mas tem muito de mim. Tudo tem muito de mim… E a aclamação, não é? É no “Não Para Não” que vejo uma Pabllo mais focada, sabe? Mais sabendo o que quer. Não que não soubesse antes, mas estava tão feliz em poder fazer pela primeira vez tudo o que sempre quis que acabei por estar mais concentrada neste segundo álbum. Amo muito os dois, caramba! Estou muito orgulhosa.

E como conheceu Diplo? Foi depois de ‘Open Bar’ ou já se conheciam antes?
Só o conheci pessoalmente na gravação do vídeo de ‘Sua Cara’, mas na verdade conheço-o há muito tempo. Sempre fui fã dele e sempre tive um fraquinho por ele. É o mais gostoso.

Depois da participação em “Super Drags” gostaria de experimentar mais a fundo a representação?
Sim! Amo muito os desenhos. Sou viciada em anime e quando me chamaram para fazer a voz de Goldiva fiquei muito feliz. Muito engraçado, você começar a cantar e às tantas já estar a dar voz a uma personagem. É louco, porque todo o mundo vai assistir e vai estar lá a sua voz. Mas, além de tudo, essa série traz uma mensagem bem legal, que é bem importante. Estou muito orgulhosa por fazer parte desse projeto.

É uma pessoa sem grandes problemas em dizer o que pensa nas redes sociais. Calculo que isso atraia muitos haters. Ainda passa por aqueles momentos em que aquilo que lhe dizem a afeta mais do que gostaria?
Eu nem ligo… Que comentem mais. Comentem e façam “like”. E falem do meu nome.

Quão importante é a sua identidade sexual na sua música?
Acho que é muito importante, porque é quem eu sou de verdade. É a pessoa que sou e quero transparecer isso na minha música. É como tudo. Se estiver triste pode dizer-se que vou querer cantar uma música triste, se estiver feliz vou querer cantar uma música feliz. Ponho tudo nas músicas que faço, nos vídeos…

Encara a música como uma arma política, também?
Sim. Falo muito de amor nas minhas músicas e, por incrível que pareça, é o que está a faltar neste momento: amor e respeito pelas pessoas. E, além disso, o facto de ser drag queen, parte da comunidade LGBTQ+, e estar num palco no estado em que vivemos hoje é bem doido. Busco fazer mais do que apenas estar em palco, sabe? Sair dessas plataformas da Internet.

Esteve em Lisboa no ano passado. Já tinha vindo a Portugal antes?
Não, não. Nunca tinha ido. Foi a primeira vez, no ano passado. Gravei aí o clipe de Sofi Tukker e fiquei dois dias só, não tive oportunidade de conhecer muito. Agora quero ir e, pelo menos, andar na rua, sei lá, ver alguma coisa. Conhecer melhor, porque é uma cidade muito linda.

Perguntei isto também porque os seus apelidos são Rodrigues da Silva e achei que pudesse ter origem portuguesa…
(risos) Olha, já me perguntaram isso e eu acho que há aí alguma coisa…

Como surgiu a colaboração com Sofi Tukker e por que razão resolveram gravar o vídeo em Portugal?
Eu sempre fui fã de Sofi Tukker e a colaboração surgiu porque eles enviaram-me um email. Fiquei super feliz com o convite… Conheci-os em 2016 e gravámos em Lisboa porque eu estava voltando da gravação do meu álbum, que decorreu em Los Angeles, e eles também estavam a dar concertos em algum lugar perto. Daí, encontrámo-nos e gravámos o clipe.

Além dessa gravação, que memórias guarda dessa curta estadia no nosso país? Também esteve no Arraial Pride…
Foi muito legal. Conheci outras drag queens e um pouco os meus fãs portugueses. Temos uma ligação muito forte pelas redes sociais, pelo Instagram, mas foi bom estar com eles fisicamente, deu para dar uns abraços. Foi bem legal.

E o que podemos esperar do concerto que vai dar em Lisboa em abril?
Vai ser um show magnífico! Muita jogação! Quem tem, vai jogar. Vai ser incrível. Vou levar muita energia. A estrutura do palco vai ser incrível. Os bailarinos que me acompanham vão fazer todas as coreografias comigo. Estou muito ansiosa.