Blitz

Uma parceria com o jornal EXPRESSO

siga-nos

Perfil

Notícias

Getty Images

“A morte do meu marido podia ter sido evitada”, defende a viúva de Chris Cornell

Vicky Cornell discursou sobre a morte do marido e a doença da toxicodependência numa palestra da ONU

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Vicky Cornell, viúva de Chris Cornell, participou numa palestra das Nações Unidas sobre o vício em opioides.

Desde a morte do marido, em maio de 2017, Vicky Cornell tem-se dedicado a estudar o fenómeno da toxicodependência, que considera ser uma doença “evitável e tratável”.

Na passada semana, a sua intervenção centrou-se no caso de Chris Cornell, seu marido e pai dos seus filhos.

“Como muitos sabem, o meu marido sofria de dependência em álcool e opioides, mas tinha quebrado o ciclo em 2003. Perdi o meu marido, os meus filhos perderam o seu fantástico pai e o mundo perdeu uma luz brilhante, tudo por causa de uma doença perfeitamente evitável e tratável”.

“Embora tenha apoiado o meu marido na sua recuperação, havia muita coisa que não sabia. E desde a sua morte trágica, dediquei-me a estudar e a aprender. Só gostava de ter sabido, naquela altura, o que sei hoje”.

Segundo Vicky Cornell, Chris Cornell ficou sóbrio em 2003, tendo anos depois sofrido uma recaída.

“Muita gente me diz: mas não podias ter feito nada... Não quero culpar-me a mim mesma. Mas digo que ele não devia ter morrido. A sua morte não foi obra de 'demónios'”, argumenta, criticando os jornalistas musicais que usam essa expressão para se referirem às lutas de Chris Cornell.

Para Vicky Cornell, o vocalista dos Soundgarden teve também “a infelicidade de ser acompanhado por um médico que não tinha formação para tratar pacientes toxicodependentes. Receitou-lhe um medicamento psicotrópico que não devia ter receitado e que o levou a ter uma recaída”.

Chris Cornell foi encontrado sem vida no seu quarto de hotel, aos 52 anos. A polícia determinou que a sua morte foi causada por suicídio por enforcamento.