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Mark Lanegan recorda Anthony Bourdain: “Ele estava sempre a querer ajudar as pessoas. Não fazia ideia do que se escondia por trás disso”

O músico norte-americano, que em 2019 voltará a atuar em Portugal com os Dead Combo, recordou o amigo Anthony Bourdain num texto emotivo

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Meio ano após a morte de Anthony Bourdain, o seu amigo Mark Lanegan recordou-o, num texto escrito para o jornal inglês The Guardian.

“Quando o Tony morreu, fiquei de coração partido. Gostava de tanta coisa nele. O seu amor pela vida e pelas pessoas. A sua vontade de fazer tudo o que lhe aparecesse à frente. Na televisão, na sua escrita e em pessoa era ultra carismático, mas também era completamente despretensioso com toda a gente que conhecia. Antes de nos tornarmos amigos, já era fã há anos”.

Mark Lanegan conta que começou por ver os programas de Anthony Bourdain na televisão, tendo depois lido - e adorado - o seu livro de 2000, “Kitchen Confidential”.

Mais tarde, Anthony Bourdain começou a conviver com os Queens of the Stone Age, banda à qual Mark Lanegan já não pertencia. Mas foi Josh Homme que apresentou Bourdain à música de Lanegan. “Ele passou a gostar muito da minha música, o que para mim foi incrivelmente gratificante”.

O cozinheiro, escritor e apresentador pediu então a Mark Lanegan que escrevesse a música do genérico da sua série, “Parts Unknown”, em 2013. “A primeira vez que falámos ele foi tão caloroso e engraçado. Descreveu-me o que queria que eu dizesse assim: Mark, quero que seja como o Joey Ramone a cantar 'What a Wonderful World'!”.

“Antes de nos conhecermos, já éramos amigos por mail há uns três anos, mas parecia mais tempo. Ele tornou-se um mentor para mim e divulgava o meu trabalho”, partilha Mark Lanegan, garantindo que foi Anthony Bourdain a encorajá-lo a publicar um livro de letras suas.

Ele era esse tipo de pessoa - sempre a dar, sempre a apoiar as pessoas. Eu não fazia ideia do que se escondia por trás disso. Ontem vi o episódio de Seattle do Parts Unknown pela primeira vez. Foi nessas filmagens que nos conhecemos. E, no final, ele aparece sentado num bar, ouvindo uma das canções.... Agora que olho para trás, consigo ver toda a dor na sua cara. Nunca me tinha ocorrido que uma pessoa como ele pudesse ser infeliz. Mas sei que [andar sempre a viajar] pode ser difícil e solitário”.

O Tony era uma luz. Uma luz muito importante sobre como é positivo descobrir culturas diferentes em todo o mundo. Precisamos de pessoas como ele, agora, sobretudo num país onde o nosso presidente quer fazer das pessoas de cor vilões e alimentar a ira dos ignorantes. Precisamos de mais pessoas como o Tony. Ele fazia do mundo um sítio melhor”.

Em 2019, Mark Lanegan acompanhará os Dead Combo em espetáculos em Lisboa e Guimarães.