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‘Fairytale of New York’ tem um verso homofóbico? Shane MacGowan responde

Shane MacGowan canta o dueto com Kirsty MacColl e é co-autor da letra

O vocalista dos Pogues, Shane MacGowan, respondeu à polémica que estalou ao longo da última semana em torno de 'Fairytale of New York', tema clássico de natal da banda irlandesa.

A polémica começou quando Eoghan McDermott, radialista da RTÉ, se mostrou desconfortável com a utilização da palavra faggot, termo pejorativo para com homossexuais, num dos versos da canção.

"Perguntei a dois membros da minha equipa, homossexuais, como se sentiam [por ouvir a palavra]. Um é a favor que se censure, o outro acha que devíamos banir a canção. Nenhum dos dois gosta de ouvir o termo. Expressões com zero utilidade social devem cair", escreveu, no Twitter.

A RTÉ já anunciou que não irá censurar o tema, e MacGowan veio a público defender-se. "A palavra foi usada por uma personagem porque vai de encontro à forma como ela fala, e à sua personalidade. Não é uma pessoa amável", afirmou, em comunicado.

"O diálogo dela é tão preciso quanto o consegui tornar, mas não é suposto ofender! É suposto que ela seja uma personagem autêntica, e nem todas as personagens em canções, ou em histórias, são anjos ou decentes e respeitáveis. Às vezes têm de ser más, de forma a poder contar a história".

"Se as pessoas não percebem que eu estava a tentar retratar a personagem da forma mais autêntica possível, então sou a favor que censurem a palavra, mas não quero entrar em discussão", concluiu.

O vocalista já obteve réplica por parte de Eoghan McDermott, que garante que ninguém na RTÉ quis banir a canção. "Eu percebo as personagens disfuncionais, o caos e a troca de insultos. O meu ponto é: censuramos palavrões relativamente inócuos constantemente. Censurar esta palavra em particular não parece uma ideia tão radical quanto isso", escreveu.

Esta não é a primeira vez que 'Fairytale of New York', canção editada em 1987 e tradicionalmente escutada no natal, provoca uma discussão. Em 2007, a BBC chegou mesmo a censurar a palavra faggot, juntamente com slut, também ali cantada, mas reverteu a sua decisão após as queixas de vários ouvintes.