Isto não é “Testing”… Ou será? A$AP Rocky no NOS Primavera Sound, uma história de soutiens e mosh pits
09.06.2018 às 2h34
Rapper nova-iorquino era o nome mais destacado da segunda noite do festival, mas provou que ainda lhe falta “um bocadinho assim"
A$AP Rocky tenta ser muito, mas parece ficar sempre a meio caminho. Atira às estrelas, mas o sucesso no terreno demasiado populoso do hip-hop americano é mediano. Quer ser um gangster (sons de tiros não faltaram esta noite no Parque da Cidade), mas não conseguimos levar essa vontade a sério. Fizeram dele cabeça de cartaz, mas a hora e picos de concerto provou que ainda lhe falta “um bocadinho assim”.
Com o terceiro e novo álbum para apresentar, “Testing”, rico em parcerias de luxo (de Frank Ocean a FKA Twigs, passando por Skepta, Kid Cudi e… Moby), o nova-iorquino tinha todas as razões para encher o palco do NOS Primavera Sound, mas mesmo quando rasgou a voz para pedir um mosh pit – e foi brindado com vários, porque um convite desses nunca se recusa – parecia estar apenas a meio gás, sem grande ritmo para aguentar uma plateia que até esteve lá para ele.
Entre os habituais “façam barulho”, as explosões pirotécnicas de sempre e uns quantos outros clichés (a t-shirt de Def Leppard fez-nos recordar que Lil’ Wayne piscou o olho, da mesma forma, aos Nirvana na edição do ano passado do MEO Sudoeste), Rocky passou por ‘A$AP Forever’, que usa e abusa de ‘Porcelain’ de Moby ; uma ‘Kids Turned Out Fine’ dedicada àqueles que “têm medo que fumemos demasiada erva, que fiquemos demasiado bêbedos”; uma ‘OG Beeper’ que irrompe depois de o artista ser brindado com um soutien vermelho em palco.
Já na reta final, recuou ao passado para dois dos momentos mais reconhecíveis e participados da atuação: primeiro ‘Everyday’ e depois, “uma mais para as senhoras”, ‘Fuckin’ Problems’. Não nos parece que fique para a história do festival.
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