Quem quer uma banda para a vida vai a tempo de abraçar os Grizzly Bear. No NOS Primavera Sound fomos muitos
08.06.2018 às 22h37
É um combo mágico: os quatro de Brooklyn fazem música de cristal não quebradiço e entregam-nos canções para guardar no coração. No Parque da Cidade do Porto a paixão é indisfarçável
Andam a mexer com os nossos cordelinhos sentimentais desde 2002 e ainda não foi hoje que nos desiludiram. Este que vos escreve viu-os pela primeira vez no Primavera Sound de Barcelona em 2010 e, na altura, foi apanhado desprevenido: a candura desta folk espectral, tão próxima dos Fleet Foxes (mas que antecede os Fleet Foxes), é algo que queremos manter por perto em altura de maior aperto.
Ed Droste, Daniel Rossen, Chris Taylor e Christopher Bear regressam ao NOS Primavera Sound (já cá estiveram há cinco anos) com a mesma verve melódica, a mesma entrega apaixonada, o mesmo aprumo nas harmonias vocais (experimentem fixar-se na conjugação miraculosa de vozes) e o cuidado de ourives na forma como cada pedra preciosa feita canção se encaixa num todo chamado, à falta de maior inspiração, concerto rock.
No mesmos sítio onde ontem Father John Misty lançou o seu feitiço, os Grizzly Bear foram delicados na aplicação da força: num festival, a céu aberto, as suas músicas soaram mais corpulentas (há uma discreta eletrónica a adensá-la), mais pujantes. Nada que fizesse perigar o ar puro de uma 'Yet Again', o blues dissimulado de 'Fine For Now' (Daniel Rossen na voz), os teclados martelados e o canto coral encantatório de 'Two Weeks'. Há uma maneira igualmente eficaz de dialogar com os Grizzly Bear, que é ouvi-los imediatamente no regresso a casa. O signatário desta prosa sabe o que vai fazer.
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