Foals: uma bandeira portuguesa e um fã em palco, muita emoção no adeus a Paredes de Coura
20.08.2017 às 3h31
Os ingleses Foals fecharam o palco principal do 25º Vodafone Paredes de Coura. Depois do concerto, houve uma pequena surpresa... Siga os artigos relacionados no final para ver fotos e reportagens dos outros concertos e do ambiente do último dia do festival
Quando Yannis Philippakis e os seus rapazes entram em palco para encerrar as festividades no maior espaço do festival, sentimos que temos pela frente mais um exemplo de feliz sintonia entre banda e público. Há fãs exaltados nas grades, muita vontade de fazer mosh e canções que se reconhecem aos primeiros acordes. Passados cerca de 90 minutos, podemos dizer que a aposta de João Carvalho - que em entrevista à BLITZ revelou que no final de 2016 já tinha contratado os Foals para o sábado deste festival - foi ganha.
Após o rodízio de guitarradas de Ty Segall, os ingleses deram continuidade à toada rock, centrada nas guitarras elétricas. Contudo, e ao contrário do norte-americano, os Foals apresentam mais nuances: ora mais dançáveis ("My Number"), ora mais atmosféricas ("Late Night") e até cerebrais ("Heavy Water"), os miúdos de Oxford (conterrâneos, portanto, dos Radiohead) deram um concerto que fechou em alta a edição deste ano.
Na sala de imprensa, após o fim do espetáculo, comentava-se até que, ao contrário do que aconteceu em anos recentes, desta feita Paredes de Coura despediu-se com a energia devida.
Sem os picos emocionais do concerto de Benjamin Clementine, por exemplo, os Foals têm, porém, boas canções (apreciámos sobretudo a sequência "Spanish Sahara"/"Red Socks Puggie"), boas guitarradas, boa pinta. E, para compensar o negrume literal dos cabeças de cartaz de ontem, trazem um belo jogo de luzes (ficou-nos na memória o rosa/vermelho de "Red Socks..."), o que, não parecendo, faz toda a diferença.
Outros bons momentos de um concerto durante o qual um fã conseguiu subir ao palco (sendo prontamente devolvido ao fosso por um segurança) foram "Electric Bloom", com Philippakis tocando tambor na frente do palco, ou as incontornáveis "Inhaler" (que não foi mas poderia ter sido dedicada ao pó que tomou conta do recinto) e, já no encore, "What Went Down" e "Two Steps, Twice".
Aparentemente com pouca vontade de deixar o palco (Philippakis desceu repetidas vezes ao fosso, "convivendo" com os fãs mais afoitos), a banda conduziu assim esta edição até ao fim que, num evento que tão bem sabe cuidar da memória, é sempre um novo começo.
Após a saída dos Foals, os festivaleiros foram surpreendidos por uma pequena celebração do ano 25 de Paredes de Coura: com imagens de concertos - e outros momentos - marcantes da história do festival, muitos correram ribanceira abaixo ao som de "All My Friends", dos LCD Soundsystem. "But if you're worried about the weather/Then you picked the wrong place to stay" - rimo-nos com deixa mas a verdade é que, este ano, a chuva acabou por ser uma das poucas convidadas que não compareceram à festa courense. Até para o ano!
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