Encontro de titãs: Carlão e Manel Cruz cantam “Casa”, dos Da Weasel, no Sol da Caparica
12.08.2017 às 10h23
Num dia em que os Da Weasel foram quase omnipresentes no festival (Virgul também abordou o repertório da banda na sua atuação), Carlão convidou Manel Cruz, a voz dos Ornatos Violeta, para se juntar a “Casa (Vem Fazer de Conta)”. Antes, António Zambujo homenageou Chico Buarque. (siga os artigos relacionados no final para ver fotos e reportagens dos outros concertos e do ambiente do segundo dia do festival)
De sorriso na cara, visivelmente contente por estar novamente a jogar em casa (já por aqui passou em nome próprio e com os 5-30), Carlão trouxe ao festival O Sol da Caparica, mais precisamente ao palco SIC/RFM, um conjunto de músicas do seu percurso a solo, retiradas do álbum Quarenta e do EP Na Batalha, como servem de exemplo “Entre o Céu e a Terra”, “Uma Vez É Demais”, “A Minha Cena”, “Na Batalha” e a festiva “Viver Para Sempre”, muito celebrada pelo público da Caparica. Mas não se ficou por aqui. Perto do final do concerto, quando já tinha o público na palma da mão, o rapper almadense chamou ao palco Manel Cruz, membro dos extintos Ornatos Violetas, para dar voz a “Casa (Vem Fazer de Conta)”, tema dos também extintos Da Weasel, que fez as delícias nostálgicas daqueles que ainda guardam um lugar especial para o coletivo margem-sulense no coração. Em uníssono, o público acompanhou a letra da primeira à última estrofe, das rimas de Carlos Nobre ao refrão melancólico do músico portuense.
O imaginário de Carlão suporta uma enormidade de temáticas e texturas (algo que já vem de trás, dos tempos da Doninha), o que leva a que a sua obra nunca soe a gasta. Se em “Colarinho Branco” escreve uma “carta de amor”, segundo palavras do próprio, à classe política em geral, em “Uma Vez É Demais” aborda a problemática da toxicodependência (a qual viveu na primeira pessoa e não tem qualquer problema em explorar), de modo cru e sem qualquer tipo de esconderijo metafórico. No seu prisma podemos encontrar também letras de amor, embebidas em instrumentais sensuais que contagiam qualquer um, como serve de exemplo “Os Tais”, single em toada quizomba, que espalhou a sua magia pela plateia com um magnetismo de difícil refutação (os ritmos africanos voltariam a invadir o recinto, no final do concerto, com a remistura dos Buraka Som Sistema para o tema “Dialectos de Ternura”, dos Da Weasel). Mais importante que jogar em casa é saber como o fazer. E Carlão tem a arte e engenho para tal.
Momentos antes, neste mesmo palco, António Zambujo deu voz a um conjunto de músicas de Chico Buarque, inserido num cenário que em muito se assemelhou a uma sala de estar (no palco podemos encontrar uma estante com livros e um candeeiro avermelhado, e, à beira do músico, uma mesa de centro com um par de copos de vinho), secundado por um eficaz conjunto de músicos: Bernardo Couto, na guitarra portuguesa; José Miguel Conde, no clarinete; João Moreira, no trompete; Ricardo Cruz, no contrabaixo, e Marcelo Gonçalves no violão de sete cordas e direção musical. “Geni e o Zepelim” e “Cecília” foram duas das músicas interpretadas pelo músico.
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