Língua Franca no SBSR: Valete afiado canta revolução e apela à consciência
15.07.2017 às 0h27
Temas do álbum de estreia do coletivo luso-brasileiro de Capicua, Valete, Rael e Emicida e clássicos a solo agitam mentes e corpos no Parque das Nações
Com apenas um álbum no ativo e assinando aqui o seu primeiro concerto, nada mais natural do que a Língua Franca fazer valer os seus recursos humanos e colocar foco em momentos a solo de cada um dos seus elementos. Quando a meio do concerto Valete ficou sozinho na frente do palco, primeiro fez-se a banda sonora da revolução, regressando ao clássico "Fim da Ditadura" que parece voltar a ressoar junto de uma nova geração (talvez por causa de Trump?...), e depois incendiaram-se as mentes com "Rap Consciente", o muito debatido tema de regresso aos originais que é, entende-se agora, um hit muito maior do que qualquer polémica.
"Preciso da vossa ajuda agora. Não me deixem mal", pediu Valete depois de colocar um fim à ditadura. O público galvanizado pelo momento não desiludiu e a uma só voz amplificou o refrão: "se é para morrer, morremos de pé", cantou-se. Há obviamente espaço para a festa nesta geração e não há dúvidas de que muitos dos que cantaram "morremos de pé" vão mais logo gritar com idêntica intensidade "mask off". Faz parte. Ninguém é só uma coisa. Mas lá que isso não retira nem um pingo de ácido a este clássico do futuro, isso também é irrefutável.
O concerto de Língua Franca começou com "Génios Invisíveis" e "Ela", dois dos momentos mais fortes do recente álbum de estreia do coletivo transatlântico. Valete e Capicua mais Rael e Emicida e ainda D-One nos pratos e Fred Ferreira na bateria garantiram todo o ruído, força, "suingue", "ginga" e consciência a que ainda se adicionaram ilustrações criadas ao vivo.
Os dois MCs brasileiros são, cada um à sua maneira, mestres no domínio do microfone e do palco, mas, como já se percebeu, Valete e Capicua tinham a clara vantagem de estar a jogar em casa. A rapper do Porto também puxou pelo lado mais militante e interpretou com classe "Maria Capaz" e "Vayorken", mas, com franqueza, o momento mais trepidante da noite foi mesmo assinado por Valete. Uma força assim, afinal de contas, não se pode desperdiçar.
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