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Optimus Alive'12: reportagem do 2º dia (14/07), com The Cure, Mumford & Sons, Tricky, entre outros [texto + fotos]

The Cure dão concerto monumental. Tricky surpreende, Mumford and Sons e Noah and the Whale com estreias felizes. Veja fotos e reportagens do segundo dia do Optimus Alive'12, pelo qual passaram 50 mil pessoas (números da organização).

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19h00 - A primeira banda a subir ao Palco Optimus no segundo dia de festival, os We Trust, dream team de André Tentúgal, defenderam esta tarde o belo, onírico These New Countries. Ao vivo, a banda é quase uma equipa de futebol, contando com os préstimos de muitos músicos com provas dadas noutros projetos portugueses (como os X-Wife), e a Lisboa os portuenses trouxeram até um trio de sopros, que ajudaram a vestir com trajes mais sedosos as músicas do álbum de estreia. A doçura de canções como "Tell Me Something" e "Once at a Time" caiu bem neste fim de tarde quente, mas ventoso, no qual muitos espectadores se concentram já frente ao palco principal. É também com gosto que muitos acedem aos convites de Tentúgal para aplaudirem, dançarem ou levantarem as mãos consoantes se sintam bem, mais ou menos bem ou muito bem. Atendendo à resposta, diríamos que os ânimos estão animados nesta tarde de sábado, à beira-rio.

Nos bastidores, a BLITZ já falou com os Mumford and Sons, entusiasmados pelo primeiro concerto em Portugal e pela saída do segundo disco, em setembro. Marcus Mumford, o vocalista, está em Portugal com a mulher, a atriz Carey Mulligan.

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20h15 - Apesar dos poucos anos de vida - surgiram mais ou menos ao mesmo tempo que os Mumford and Sons, partilhando até algumas coordenadas estéticas - os Noah and the Whale já experimentaram várias peles: a folk florida do primeiro álbum, as dores da separação feitas música do segundo e a pop mais leve, e assente em sintetizadores, do recente Last Night on Earth, lançado no ano passado. Na sua primeira vez em Portugal, os londrinos tocaram ainda com sol ("uma bênção de que poucos festivais no mundo gozam", salientou o vocalista Charlie Fink) e apresentaram uma boa mistura das suas várias facetas.

Tal como os Mumford and Sons, que tocam a seguir e cujo concerto Fink recomendou, os Noah and the Whale estão a aproximar-se de um som mais yankee, apesar de a voz, frágil e estaladiça, de Fink os manter, por enquanto, deste lado do Atlântico. Na "amostra" da sua carreira, hoje no Optimus Alive'12, fizeram boa figura "5 Years Time" ou "Give a Little Love" (recebida entusiasticamente pelos fãs das primeiras filas), do álbum de estreia; "Blue Skies", do segundo disco, inspirado pelo fim da relação de Charlie Fink e Laura Marling, outro nome - porventura o mais dotado - deste "movimento" de folk londrina; e a mais recente "Just Before We Me".

Por vezes o grupo, no qual milita um violinista, saltita não só entre as várias sonoridades que vem experimentando como as congrega numa só canção (em "Give a Little Love" misturaram-se solos de guitarra e violinos delicados, ao passo que "Rocks and Daggers" ganhou um balanço quase afro que fez algumas espectadoras dançar com vontade). No geral, uma estreia feliz de uma banda com vontade de tocar e agradar nesta primeira visita a Portugal.

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20h57 - No palco Heineken assistimos ao intenso concerto dos Antlers, quarteto dado a um rock emocional, apoiado em límpidos mantras de shoegazing, eco no dedilhar da guitarra elétrica e na voz de Peter Silberman, homem que se apoia num falsete elástico que lhe sai sem esforço. Encontramos uma espécie de dream pop sentimental, que evolui sem pressas, reminiscente da segunda metade dos anos 80, facção 4AD. Destaque natural para "I Don't Want Love", canção de arranque de Burst Apart, o último álbum, música crepuscular mas a tocar o formato pop, durante a qual uma jovem sob o efeito de "coisas fumáveis" descobre uma inusitada música de baile.

Antes, os Here We Go Magic deixaram-nos algo intrigados. Também de Brooklyn, Nova Iorque, como os Antlers, o grupo liderado por Luke Temple é ritmicamente excitante, joga bem o seu ping pong entre harmonias vocais e teclados minimais, numa espécie de paralelo new wave mais económico, mas quase nunca encontra portas de saída. É música indiscutivelmente bem pensada, bem tocada, mas a pedir atenção aos detalhes, algo que o ventoso palco secundário do evento, nem sempre com o som afinado, pode proporcionar. Pelo meio, vimos Tricky (que atua mais tarde) rumar à zona de alimentação (quererá experimentar o abundante por aqui leitão nacional?).

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21h30 - Se os Noah and the Whale tiveram uma estreia feliz em Portugal, o que dizer dos seus compatriotas Mumford and Sons? Logo no arranque do concerto, os ingleses fazem correr para a frente do palco incontáveis espectadores, seduzidos pelo ritmo de "Little Lion Man". Há coros cantados de coração ao alto, muitos saltos e um recinto de festival transformado em arraial com travo a "irish pub". Apesar de só terem um disco editado (o segundo vem a caminho, em setembro), os Mumford and Sons cresceram muito desde o lançamento de Sigh No More, em 2009.

O sucesso de que gozaram nos Estados Unidos, levando-os a tocar com grande frequência no gigantesco território, terá contribuído para que, neste momento da sua carreira, os Mumfords se apresentem donos de um som mais cheio, quase talhado para estádios. Continuam a deter o charme de uma banda do "antigamente", com o banjo a fazer maravilhas por boa parte do seu repertório, mas assumem também uma ambição que, muito provavelmente, os tornará ainda mais populares ao segundo álbum.

De mão magoada, e com um guitarrista a fazer as suas vezes nesse instrumento, Marcus Mumford foi um anfitrião capaz, esforçando-se, tal como o teclista Ben Lovett, por falar português numerosas vezes. Os êxitos do primeiro disco - além de "Little Lion Man", "The Cave", "White Blank Page" e "Roll Away Your Stone" - agitaram muitos pés e ancas junto ao Tejo, numa altura em que a temperatura começa a descer. No cenário dos Mumfords figura a imagem de uns quantos cavalos em corrida, e não raras vezes o ritmo do concerto - não obstante a inclusão de algumas canções novas - atingiu a velocidade de uma cavalgada épica, frequentes vezes à moda dos westerns americanos. Não temos dúvidas de que voltarão a tocar para nós, estes Mumford and Sons tão bem recebidos pelo Optimus Alive'12.

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23h00 - Não muita gente acorre ao chamamento de Skye Edwards, a regressada vocalista dos Morcheeba, que caíram no cartaz do Optimus Alive'12 "de páraquedas", em substituição de Florence and the Machine. "Só soubemos que vínhamos cá tocar ontem, às duas da tarde", confessou o guitarrista Paul Godfrey, "por isso é um grande prazer estar aqui!". Mais tarde, contudo, o músico viria a pedir ao público que fizesse "algum barulho: sei que não era a nós que queriam ver, mas estamos a dar o nosso melhor". Liderados pela voz de veludo de Skye Edwards, lindíssima num vestido rodado, os Morcheeba apresentam, de facto, o seu repertório de trip-hop aquoso com dignidade, ainda que sem grande fogo. Mas se Florence Welch e a sua "máquina" se encontram, ao segundo disco, em pico de forma e de popularidade, os autores de Big Calm não são propriamente uma novidade para qualquer português habituado às lides da música ao vivo. "Gosto mais de ti, pá!", exclama uma espectadora a nosso lado, quando Sky se refere aos problemas de saúde que levaram Miss Welch a cancelar o concerto.

Apesar da boa reação a canções como "Otherwise" ou "Never An Easy Way", contudo, os Morcheeba sofrem com a impressão generalizada de que só cá estão a tapar o "buraco" deixado pelo cancelamento de uma das artistas que mais curiosidade despertavam neste dia de Alive. E, para atenuar o desgosto dos fãs, Skye atira-se, a certa altura, a uma pequena versão de "You've Got The Love", uma das primeiras canções que ouvimos na voz de Florence. Segue-se "Rome Wasn't Built In a Day", um dos maiores êxitos dos Morcheeba.

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23h57 - Terá sido um dos concertos mais concorridos do palco Heineken e Tricky fez questão de recompensar um público que teve na mão desde o início. O homem que deveria ter tocado Maxinquaye (1995) na íntegra, mas viu outra vez Martina Topley-Bird partir, chamou público ao palco para uma versão frenética de "Ace of Spades", clássico dos Mötörhead, de Lemmy Kilmister. A "invasão" repetiu-se no final, com uma multidão a abraçar um Tricky em tronco nu, visivelmente agradado pela reação ao curto, mas intenso, concerto, que começou ao som de "Feeling Good", de Nina Simone e, sem hiatos e com muitos "intros", passou por "Really Real" e - já em território Maxinquaye (sem Martina Topley-Bird mas com a voz feminina a cumprir sem grande mácula) - uma "Black Steel" apunkalhada.

O nosso "herói" está de tronco nu, salta abundantemente, engendra poses de pugilista, não difere do irrequieto (e truculento, para fazer jus à alcunha) rapaz que há quase vinte anos ajudou a fundar o trip-hop. Mais tatuado, certamente. O baixo é "subterrâneo", pulsante; a guitarra é declaradamente rock (postura que a banda não disfarça). Há uma "Overcome" que fica a meio, mas houve também um final de braços no ar. Auto-celebratório? Sem dúvida. Funciona? Também.

Antes, uns inexcedíveis Awolnation misturaram power-pop, cock rock, punk e o que mais viesse à rede com a subtileza de um rinoceronte, mas com um talento inegável para fazer a festa. Aaron Bruno, o vocalista, sua as axilas, navega no público, instiga o frenesi, deixa o azeite (irónico, claro) escorrer. Casa cheia: com o final do concerto dos Mumford & Sons, ganhou a banda que emprestou o seu "Sail" a um anúncio de telecomunicações, facto pelo qual se apresenta hoje entre nós.

3h00 - Tal como a própria carreira da banda, assistir a um concerto dos Cure é, atualmente, uma prova de resistência. Ao final das três horas de música que os ingleses ofereceram, esta noite, não terão chegado todos os que embarcaram na viagem - mas os que aguentaram até ao fim, vivendo em tempo real e levando consigo a memória de 36 canções (!) díspares e fascinantes, terão saído do Optimus Alive'12 de alma consolada. A maratona, para qual o público já iria avisado - antes de um dos encores alguém dizia "mas ainda falta meia hora!", mostrando que a internet mata algum do efeito-surpresa dos concertos - começou pontualmente, pela meia-noite de sábado.

Mal Robert Smith e a presente encarnação dos Cure - Simon Gallup no baixo, Reeves Gabrels na guitarra, Roger O'Donnell nas teclas e Jason Cooper na bateria - se deram a mostrar ao público português (e não só), foi difícil não nos emocionarmos com a comoção generalizada. "É mesmo ele!", excitavam-se duas amigas, repetidamente. "Ainda tem cabelo!", notavam outras, certamente recordando os posters de tempos idos. "It's Saturday I'm in love", lia-se num cartaz erguido no ar com orgulho. Tudo provas inequívocas de uma devoção genuína - e à prova da passagem do tempo. Não há como não emocionar. Tudo se torna mais notável e belo quando pensamos que, no centro de toda a agitação, está Robert Smith, um inglês tímido que, aos 53 anos, nunca foi outra coisa senão ele próprio: um "rapaz" esquisito (até certo ponto, "imaginário"), que continua a abraçar-se a si mesmo em palco, a dançar como uma marioneta quebrada, a partilhar confissões de uma candura imensa, a comunicar emoções sem necessidade de demasiadas palavras (que, como diria o seu compatriota Dave Gahan, são tantas vezes tão pouco necessárias).

A corrida começou com um trio imbatível: "Plainsong", "Pictures of You" e "Lullaby", três pontas de lança do recentemente reeditado Disintegration que, como o concerto desta noite voltou a provar, o tempo tratou muito bem. Daquele que uma personagem do South Park dizia ser o melhor disco de sempre chegaria também, pouco depois, "Lovesong" - foi a sexta música do alinhamento e, por esta altura, entre sorrisos envergonhados de Robert Smith e a comunhão com o público que estava ali para ouvi-lo, com uma ou outra lágrima furtiva à solta, já a partida estava ganha. Olhamos para aquele cinquentão que atravessou décadas de pop-rock e suspiramos de alívio: ele ainda acredita.

Pela frente os espectadores tinham ainda um fartote de canções (e tentaremos não dispensar muitas linhas aos que passam os concertos a experimentar chapéus, falar ao telefone e infernizar a vida aos vizinhos). Por estas canções, das mais óbvias às mais inesperadas, passa não só o percurso dos Cure como boa parte da música popular das últimas décadas: do gótico mais retinto ("One Hundred Years", uma das nossas favoritas) à pop mais luminosa (quase todos os êxitos: "In Between Days" e "Just Like Heaven", apresentadas de seguida; "The Love Cats", "Close To Me", "Why Can't I Be You"... havia sempre mais um a saltar da cartola), passando pelo pós-punk de início de carreira, houve história a verter das cordas das guitarras (e dos demais instrumentos) dos Cure.

Paranóica, desesperada, hipersensível, híper-romântica, naïf (impossível não sorrir com a recordação, quase no final, de "Boys Don't Cry", o segundo e oh-tão-promissor single de 1979), misteriosa, opressiva, inefável e irresistivelmente melodiosa: a escrita de Robert Smith reflete um sem-fim de caras, sem nunca perder a face-mor do seu criador, abençoada por um qualquer elixir da juventude que faz com que "The Caterpillar", recordação surpreendente e saborosíssima do álbum The Top (1984), soe tão próxima dos nossos ouvidos de hoje como "A Forest" (editada quatro anos antes e para sempre um dos momentos altos de qualquer concerto dos Cure) ou "10:15 Saturday Night" (a primeira canção do primeiro álbum e penúltima a ser tocada esta noite, com um aviso de Smith: "Já não a tocámos há muito tempo. Se nos enganarmos cantem alto por cima!").

À medida que, fugindo aos conversadores profissionais que hoje em dia enchem os festivais, nos aproximámos do palco, escutávamos um número crescente e mais intenso de elogios aos Cure: "Eu ainda adoro estes gajos!" e "Isto está a ser o concerto da minha vida". O ótimo som ajudou, a boa disposição de Robert Smith e a grande forma da banda também - mas nada é mais importante, nesta equação de felicidade popular, do que as canções aladas, ou como nos disse voz amiga, "infinitas", que sobrevoaram Algés esta noite. E se depois de ouvirmos os discos dos Cure ficamos na ilusão de conhecer o homem por detrás dele, quando um concerto de três horas chega ao fim quase sentimos saudades do que já lá vai. Mas, e sem querer agoirar, se esta tivesse sido a última vez que vimos os Cure, teríamos ficado muito bem servidos.

Alinhamento dos Cure:
Plainsong
Pictures of You
Lullaby
High
The End of the World
Lovesong
Mint Car
Push In
Between Days
Just Like Heaven
From the Edge of the Deep Green Sea
Trust
Want
The Hungry Ghost
Wrong Number
Bananafishbones
The Walk
Sleep When I'm Dead
Friday I'm in Love
Doing the Unstuck
Play for Today
A Forest
Primary
One Hundred Years
Disintegration

Encore:
The Same Deep Water as You

Encore 2:
Dressing Up
The Lovecats
The Caterpillar
Just One Kiss
Close to Me
Let's Go to Bed
Why Can't I Be You?
Boys Don't Cry

Encore 3:
10:15 Saturday Night
Killing an Arab

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Pouco passava das 2h00 quando a dupla giradisquista James Murphy (ele, dos LCD Soundsystem) / Pat Mahoney subiu ao palco Optimus Clubbing para uma sessão que começou com um disco-funk de fervura lenta e algons troncos nus na audiência dispostos a dar o litro. Mais adiante, no palco Heineken, Sebastian - um dos nomes de proa da Ed Banger - serviu um cardápio entre o electro e o house aos resistentes.

Texto: Lia Pereira, Luís Guerra
Fotos: Rita Carmo/Espanta Espíritos