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Streaming no auge, concertos em carros e o regresso a uma “nova normalidade”

Os números, os dados, as inovações e as realidades a que agora assistimos mostram-nos que nos reinventamos rápido na era da covid-19 e vamos sarar as feridas

David Serras Pereira

David Serras Pereira

Advogado e International and Licensing Manager na Unison Rights

Esta semana tivemos acesso ao tão ansiado Annual Global Music Report do IFPI (International Federation of the Phonographic Industry) do ano de 2019. Os números são estonteantes e animadores, senão vejamos alguns dos destaques:

- a receita total do mercado mundial de música gravada cresceu 8,2%, para US $20,2 biliões

- a receita do streaming cresceu 22,9%, para US $11,4 biliões

- As assinaturas pagas nos serviços de streaming cresceram 24,1%

- 2019 terminou com cerca de 341 milhões de utilizadores de serviços de streaming pagos, um crescimento de 33,5%

Claro, são números de 2019, animadores, mas do ano passado, tal como eram de 2018 os também encorajadores números revelados no Global Collections Report da CISAC (International Confederation of Societies of Authors and Composers) com, por exemplo, cobranças globais em 2018 de €9.65 biliões (um crescimento de 25.4% desde 2014) e com as receitas do digital a crescerem em 29%.

O que poderia ser considerado reflexo de um passado long gone com a covid-19, não o é… a semana passada ficámos a saber que o Spotify cresceu 22% no número de assinaturas no 1º trimestre de 2020, e que tem agora cerca de 130 milhões de assinantes num universo de 286 milhões de utilizadores mensais do serviço.

Em abril, a Netflix superou no preço por ação a Exxon Mobil, a CostCo e a IBM, com um crescimento de 42% no valor, atingindo um valor de mercado de $182.84 biliões, e o seu número de subscritores naturalmente também aumentou. Esta tendência é transversal e interessante. Acredito que o setor da música digital, ou dos serviços digitais que usam música, manterá os níveis de crescimento verificados ou ligeiramente menores. A indústria da música, por força do digital, fechou 2019 o seu quinto ano consecutivo em crescimento, depois de 15 anos de crise! E cada vez mais se reinventa.

Pós-covid, e no imediato, há festivais que se vão mover para o online, o BeatPort continua a inovar com os seus eventos ReConnect, e com possibilidades inovadoras de aquisição de faixas durante a performance, mostrando o caminho a seguir! Vimos 12 milhões de pessoas a assistir a Travis Scott no Fortnite , e agora, porque a vida e o tempo vai e vem e as modas repetem-se, começamos a estudar a probabilidade de concertos em carros (não teria sido já uma grande ideia mesmo antes da covid-19?) à escala global, com experiências já a decorrer na Alemanha e Dinamarca.

Todos na música, ou todos os que nos relacionamos com a música enquanto profissão, estão a viver momentos difíceis, como referi no meu último artigo de opinião, só com uma coresponsabilidade e coresponsabilização iremos lá, mas os números, os dados, as inovações e as realidades a que agora assistimos, mostram-nos que nos reinventamos rápido e vamos sarar as feridas. Com música pois rumo à nova normalidade!