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Keith Haring

Getty Images

Keith Haring: nas garagens do paraíso

O 'street artist' mais reconhecido na América dos anos 80 morreu em 1990 ao cabo de apenas 31 anos no planeta. A sua ligação à música foi incontornável

Keith Haring morreu em 1990 ao cabo de apenas 31 anos no planeta. A par de Basquiat, terá sido o visual artist/street artist mais reconhecido na América dos anos 80 – Basquiat sucumbiu a uma overdose de heroína no pico do crack, Haring viu a sua vida ceifada pela dilacerante epidemia de sida.

Entre balizas de amor, sexo, vida e morte, Haring colocou o acento na liberdade individual, no ativismo social e na celebração da identidade sexual. Verteu para paredes e murais contornos de cães, bebés, homens dançantes, naves espaciais. Desenhou flyers e posters de concertos e DJ nights, misturando-se na cena punk rock alternativa, nos clubes de dança underground e no emergente hip-hop de Nova Iorque. Foi amigo de Madonna e Grace Jones.

A música foi fulcral na sua vida: começou a pintar ao som de Devo, B-52s e Talking Heads; ‘perdeu-se’ no Club 57 em East Village, com Klaus Nomi e John Sex; ligou-se devotamente às noites de sábado do Paradise Garage.

“The World of Keith Haring” (uma edição de Soul Jazz) reconstitui esses passos, em duas óticas: o primeiro CD junta influências como B Beat Girls (exímio electro-funk), Pylon (abrasivo new wave/pós-punk dançável) e Sylvester (o boogie disco); o segundo explora as ligações a Basquiat (Gray, entidade musical deste com Michael Holman), a Fab 5 Freddy (graffiter e pioneiro do hip-hop) e Yoko Ono, entre outros. O livrete de 48 páginas é um apêndice mais do que bem-vindo.

Estará patente no CascaiShopping, em Cascais, a exposição “Entre a Arte, o Ativismo e a Moda”, de 10 de setembro a 10 de novembro

Publicado originalmente na revista E, do Expresso, de 20 de julho de 2019