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Uma parceria com o jornal EXPRESSO

Opinião

Duas grandes canções rock ao virar da esquina

De 1967 a 2017 em oito minutos essenciais

Há cinquenta anos, os Svengalis andavam à procura de outros Doors e saiu-lhes isto, uns tipos de West Los Angeles capazes de fazer uma canção monstruosamente boa (que digo eu?, inapelavelmente viciante) que é uma espécie de futuro do garage rock. Não estou certo de já lá termos chegado.

Progressão lenta e misteriosa, salpicos de psicadelismo, um órgão hammond suculento, a guitarra a pincelar imaculadamente: tudo aqui é tão perfeito que "House of Glass" quase parece um protótipo a partir do qual boa parte da música elétrica intoxicada foi gerada. Poderia ter sido feita hoje? Claro que sim, com a história de dois ou três mundos nas costas. Mas foi tecida em 1967 - mil nove seis sete - quando o novelo ainda só começava a ser desfiado. Estava tudo lá, sabemos agora.

Glass quê? Exato.

Em 2017, um bando de australianos insiste em criar a sua própria cosmologia. King Gizzard and the Lizard Wizard é um paraíso artificial de onde já saíram oito excitantes álbuns, incluindo um fervilhante Nonagon Infinity que musicou a vida deste que vos escreve ao longo do ano passado - vê-lo a desdobrar-se em tempo real foi um baque daqueles.

Para este ano estão prometidos cinco álbuns (há dias, Stu McKenzie, o líder da pandilha, disse-me que não sabe ainda onde se meteu), com o primeiro - Flying Microtonal Banana - a chegar daqui a um mês.

"Sleep Drifter", monumento de space-rock, kraut, psicadelismo, rock cósmico (sirva-se do carimbo que mais lhe aprouver), é uma canção de embalar. Se Nonagon... pedia umas colunas com os graves a rebentar, aqui é preciso colocar fones nos ouvidos. Ponha o despertador para amanhã de manhã.