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Uma parceria com o jornal EXPRESSO

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E que tal apimentar um bocadinho a quarentena? 19 canções para maiores de 18

“E eu e tu o que é que podemos fazer?”, perguntava há um quarto de século um bem conhecido artista português. Talvez ouvir canções quentes, sensuais e irresistíveis, ideais para as melhores terapias ocupacionais? De Sade aos U2, de Marvin Gaye a Marilyn Manson. E de Portugal ao Brasil

Pedro Abrunhosa pode muito bem, já há uns anos valentes, ter respondido a essa tão premente questão que vai por estes dias assaltando muitos casais em isolamento social: “E eu e tu o que é que podemos fazer?” Talvez... ouvir a playlist que hoje vos propomos, que tem o combustível perfeito para o tão importante acto do amor, seja a melhor das terapias ocupacionais.

A música, já se sabe, foi sempre excelente afrodisíaco e até o mais sério dos pensadores chega a um momento em que já só quer ir para a cama, de preferência com companhia. Tome-se o exemplo de Marvin Gaye – a quem, de resto, atribuímos mais abaixo a responsabilidade de abrir... hum... os lençóis, vá – que depois de se questionar sobre os males do mundo do seu tempo na obra prima What’s Going On não deixou de dizer a quem o quisesse ouvir, e era mesmo muita gente, que talvez o melhor fosse mesmo Let’s Get It On. E pronto, assunto arrumado.

A lista que vos trazemos hoje faz-se de clássicos e modernos, de portugueses e brasileiros, amor em todas as línguas, salvo seja, com um bocadinho de mel e alguma pimenta porque nem só de pão e água vivem por estes dias os homens e as mulheres e porque não é só nas varandas que se deve dizer que vai ficar tudo bem. No quarto também é importante. Ou no sofá da sala, ou no jacuzzi ou no chão da cozinha. Na verdade, o amor é onde as pessoas quiserem. Lavem as mãos! Esta lista tem mais de 18!

1. Marvin Gaye – Sexual Healing

O sexo como força de cura? Marvin Gaye acreditava que sim e nos primeiros versos definiu o que é a música de bolinha vermelha no canto superior direito do ecrã das nossas fantasias: “Baby I'm hot just like an oven / I need some lovin'
And baby, I can't hold it much longer / It's getting stronger and stronger”. Bora lá?

2. Sade – Your Love is King

Não era à toa que designavam a música que Sade trouxe para o centro da arena pop nos anos 80 como “quiet storm”. É que há tempestades que ninguém se importa de ter que atravessar, certo? “I’m coming...” diz Sade, que depois remata: “Your making me dance, inside”. Há quem diga que são as borboletas na barriga...

​​​​​​3. Chaka Demus & Pliers – Tease Me

E porque o amor, como qualquer caixa de velocidades, deve dar para meter uma quinta e acelerar, não podia faltar por aqui um pouco de picante tropical e quem melhor para isso do que a pioneira dupla dancehall Chaka Demus & Pliers que no refrão pedem “Tease me til I lose control”? Não custa nada...

4. Madonna – Justify My Love

Digamos que esta canção é um dois em um: não só serve para animarmos fantasias românticas, como ainda é uma espécie de hino anti-confinamento em que a nossa vizinha canta “I want to kiss you in Paris / I want to hold your hand in Rome / I want to run naked in a rainstorm / Make love in a train cross-country”. O mundo pode voltar a ser um sítio divertido. Há que acreditar...

5. U2 – One

Sim, Bono já disse aos casais que escolhem tocar esta música nos seus casamentos que devem ser doidos porque é acerca de separações, mas cada um agarra-se às palavras, ou ao outro, como bem entende e a verdade é que o líder dos U2 também diz um arrebatado “one love, one blood / One life, you got to do what you should”. E, como toda a gente sabe, o que tem que ser tem muita força, certo?

6. Marilyn Manson – Tainted Love

Se houver por aí um blusão de cabedal em casa sugerimos que esqueça o pijama confortável por umas horas, vista o dito cujo (não será preciso mais nada...), arrede a mesa da sala que tem aquele tapete felpudo por baixo, acenda a lareira ou o aquecedor, baixe as luzes e ponha esta a tocar... Qual Netflix, qual quê...

7. D’Angelo – Untitled (How Does It Feel)

Não desejamos, como é óbvio, que alguém aí por casa esteja zangado/a com quem possa estar a dividir a quarentena, mas pronto, às vezes as coisas não correm pelo melhor e fazendo falta um remédio, garantimos que não há melhor vacina para as maleitas do coração do que este pedaço de (sétimo) céu de D’Angelo. É meter esta a tocar e pronto, remédio santo (bem, “santo” é como quem diz...).

8. Lena D’Água – Dou-te um Doce

Esta é do tempo em que os videoclips ainda se chamavam telediscos. Lena d’Água era a mulher mais bonita do universo e arredores e se bem que ao lado das Rihannas d’hoje possa parecer muito inocente, a verdade é que definiu o que era a sensualidade neste “Dou-te um Doce”: “Do côco faço uma batida / Da areia faço a minha cama / Gosto de me dar à vida / Sempre que o sol me chama / Adoro estar ao pé do mar / Quando te tenho ao meu lado”. E então? Ela dá-nos um doce, em troca de um beijo salgado... Se calhar não é assim tão inocente, afinal...

9. Rita Lee – Lança Perfume

Lança, menina / Lança todo esse perfume / Desbaratina / Não dá pra ficar imune / Ao teu amor / Que tem cheiro de coisa maluca! / Vem cá, meu bem / Me descola um carinho / Eu sou neném / Só sossego com beijinho / Vê se me dá / O prazer de ter prazer comigo!” Não é? E depois: “Me aqueça / Me vira de ponta-cabeça / Me faz de gato e sapato / E me deixa de quatro no ato / Me enche de amor, de amor!”. Duche frio depois, tem que ser...

10. Tulipa Ruiz – Desinibida

E mais um bocadinho de Brasil, país que pode não perceber de quarentenas, mas que sabe muito de carnavais. E por falar em carnavais, canta a Tulipa: “Gosta de ter o dia livre / Tudo que pinta satisfaz / Dormiu com todos os amigos / Sobreviveu a carnavais / Passa batido pelos casais / Desinibida, vai”. Bonito, não é?

11. Branko e Mayra Andrade – Reserva Para Dois

Sim, e que tal um jantar romântico, mais logo, ali na sala, com velas e tudo? Basta fazer uma reserva para dois e... tiro e queda: “O sentir que trago cresce quando estou longe de mim / Tão perto, mas dentro assim, tão fora daqui / Neste ventre quente e furioso terás sempre um lugar / Além do depois... / Sem ruído, com cor e reserva p'ra dois”.

12. Dino d’Santiago – Nos Funaná

Este “funaná di nôs terra” cura qualquer coisa. Deve ser do balanço que o Dino d’Santiago domina tão bem, que convida os corpos a eliminarem distâncias e a rockarem assim docemente, como se não houvesse mais nada. Só o balanço. E os corpos. E o balanço. E os corpos.

13. The Weeknd – Earned It

Pá, The Weeknd sabe muito destas coisas. E este “Earned It” tem aquele falsete que derrete qualquer coração mais empedernido. E se às vezes é preciso... “You desserve it”, garante ele. “The way you work it”. Pois é...

14. ProfJam – Hei

Às vezes a melhor poesia é a que diz o que precisa de ser dito: “Baby tu sabes que eu faço tudo... bem / Baby tu sabes que eu quase expludo, hei...” E depois: “Vou roubar o teu corpo, tenho de ir de cana / Vem p'ó meu calabouço que é a minha cama”. E nem é preciso ir ao Camões e aos sonetos: este amor arde e vê-se bem...

15. Frank Ocean – Thinking About You

Já por aqui enaltecemos os poderes de um bom falsete, mas de bons falsetes percebe Frank Ocean que no refrão pode meter as mais importantes palavras na nossa boca: “I’ve been thinking about you, do you think about me still? Do ya, do ya? Or do you not think so far ahead? ‘Cause I’ve been thinking bout forever”.

16. Ariana Grande + Nicki Minaj – Side To Side

Olha que duas, não é? Nesta canção, Ariana e Nicki aproveitam uma cadência reggae para falar dos efeitos que a antecipação provoca. No caso delas mete-as a andar de um lado para o outro e a ignorar o que dizem os amigos. Porque há lá voz mais importante do que a que ouvimos dentro da cabeça?

17. Beyoncé - Rocket

A Beyoncé a cantar: “Let me sit this ass on you, show you how I feel”. Será preciso dizer mais alguma coisa? Esta senhora canta que se desunha, é dona de si, sensual daqui até à lua e tem palavras para nos inundar a imaginação: “And reach right into the bottom of my fountain”, sugere ela. E já é o segundo duche frio de que precisamos e esta lista ainda nem chegou ao fim...

18. Regula – Casanova

E quem é que nunca se sentiu “Casanova”? O único homem capaz de falar em “anginas” numa canção, que parte a louça e passa os limites (às vezes também é preciso) dá-nos uma bomba sem censuras. Bolinha vermelha mesmo!

19. Elza Soares – Pra Fuder

E para terminar, nova mudança de velocidade, mas mantendo as coisas tropicais, porque é importante. E vamos buscar quem muito sabe, a grande senhora Elza Soares que ainda se derrete toda quando quer. Canta ela: “Olho pro meu corpo / sinto a lava a escorrer” e depois “em transe latejo / roupas jogadas no chão / pernas abertas / te prendo num beijo / sufoco a sofreguidão”. E pra quê? Elza responde.