Luís Severo e convidados no Super Bock em Stock: Ele vale tanto sozinho como (bem) acompanhado
23.11.2019 às 2h09
De regresso à sala onde já gravou um disco ao vivo, o cantor-compositor surpreendeu com novos arranjos para algumas canções
Luís Severo já foi feliz no Tivoli. É ele quem o sugere, ao subir ao palco do teatro da Avenida da Liberdade, nesta primeira noite de Super Bock em Stock, recordando que foi nesta sala que, em 2017, gravou um concerto que daria origem a um disco ao vivo, "Pianinho".
Esta noite, porém, o palco tem bem mais do que um pianinho à disposição de Luís Severo e dos seus convidados. Harpa, contrabaixo e violoncelo deixam desde logo o público a tentar adivinhar quem é que o acarinhado cantor-compositor chamará para tocar consigo.
No começo, porém, era Luís Severo: voz, guitarra elétrica tocada com delicadeza e uma interpretação espartana, mas bonita, de alguns jovens clássicos: 'Planície' ("Alameda, renda paga, vida longa") e 'Amor e Verdade' ("Lisboa chora agora/Não há quem não te venda"), intercalada pela menos urbana e mais bucólica 'Joãozinho', do mais recente "O Sol Voltou".
Quando chamou ao palco os seus primos, Sara Coroado e Nuno Coroado, e Rebeca Csalog para o acompanharem no violoncelo, contrabaixo e na harpa, Luís Severo acabou por assinar uma versão involuntariamente "punk" (palavras suas) de 'Rapaz'. Impossibilitado de substituir no imediato o cabo da guitarra, acabou por cantar este tema de "O Sol Voltou" acompanhado apenas de umas notas solitárias no contrabaixo - e de muita pinta, apesar do súbito desnorte de se ver sem guitarra. Já com ela, seguiu com formosura para 'Acácia' ("se a manhã cheira a champô"), com os instrumentos de cordas a favorecerem novas sinestesias.
Do álbum deste ano, 'Maio' e 'Primavera' reforçaram a sua candidatura à categoria Canções Mais Bonitas de 2019, ao passo que 'Meu Amor' levou Luís Severo de volta ao álbum homónimo de 2017 e ao "pianinho" (elétrico) que também o aguardava em palco.
Em estúdio, o lisboeta é amante da exploração, procurando novas soluções e experiências sonoras. Em palco, sozinho ou com o trio desta noite, foi também capaz de recriar as minudências do seu universo, ora urbano ora bucólico, com sensibilidade e bom senso.
Alinhamento do concerto (que não vimos na totalidade, para podermos assistir a parte do concerto de Sinkane):
Planície (Tudo Igual)
Joãozinho
Amor e Verdade
Rapaz
Acácia
Maio
Primavera
Meu Amor
Quem me Espera
Última Canção
Cara d’Anjo
Domingo
As Canseiras Desta Vida