A festa precoce de Sinkane no Super Bock em Stock
23.11.2019 às 2h48
Sinkane, inglês com raízes no Uganda que tem saltitado entre Londres, Sudão e Reino Unido, foi um dos destaques da primeira noite do festival lisboeta
Nascido em Londres, Ahmed Abdullahi Gallab é filho de pais do Sudão, país no qual viveu durante os primeiros cinco anos da sua vida, antes de, por motivos políticos e com a família, se mudar para os Estados Unidos. Além de se enquadrarem na perfeição num certo multiculturalismo de que o Super Bock em Stock gosta de se orgulhar, todas estas viagens e experiências de vida marcam, decididamente, a música que a banda pratica. Quando entramos no Coliseu, vindos do concerto de Luís Severo no Tivoli, apanhamos Ahmed Gallab, aka Sinkane, a conduzir a sua nave pelas galáxias do dub, reggae, psicadelismo e afrobeat. Na plateia, ondula-se a cabeça e os ombros com alguma reticência; é provável que, a uma hora mais tardia, este concerto tivesse causado um impacto diferente na anca dos presentes.
Na sua terceira visita a Portugal, depois de ter tocado neste mesmo festival em 2014 e no Super Bock Super Rock no ano seguinte, Sinkane ofereceu diálogos acalorados entre a sua guitarra e a voz da cantora que o acompanhou em palco; lançou-se em longos solos & jams mas também mostrou a queda para canções mais maviosas e imediatas, como 'Ya Sudan', do álbum deste ano, "Depaysé". Verdadeiramente contagiante é 'U'Huh', do anterior "Life & Livin' It", de 2017, que fechou o concerto de Sinkane e abriu terreno para a chegada do "irmão" Michael Kiwanuka: tal como o britânico-sudanês, um rapaz de poucas falas mas muitas mensagens.